Espaço do Diário do Minho

Semeador da esperança

16 Jan 2020
Damião Pereira

Passa hoje um ano sobre o falecimento do Sr. Cónego Fernando Monteiro, mas esta é apenas uma data. E digo apenas, porque para nós, colaboradores da Empresa do Diário do Minho, ele somente deixou de «ser visto» quando contornou «a curva da estrada». Busco na memória o poema de Fernando Pessoa e «se escuto, eu te oiço a passada / existir como eu existo». Por isso ele está presente.

Depois deste tempo, recordar o Cónego Fernando é também lembrar um homem que viveu sobretudo da e com a esperança de deixar o mundo melhor. Por isso se “aventurava” por caminhos muitas vezes sinuosos em busca de soluções para as instituições que dirigia e que, algumas delas, tinham e têm a seu cargo pessoas desfavorecidas.

«Irmãos, não queremos que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança», pode ler-se na Bíblia, em 1 Tessalonicenses 4:13.

Sim, o Cónego Fernando – ou antes, o Padre Fernando – era um homem de esperança. Um semeador de esperança. E, como tal, tinha uma missão. Uma missão que – afirmava – não era só dele, mas que o “obrigava” a chamar outros para que o seguissem no comprometimento com o próximo e com a Igreja.

Dava assim, e como sempre, o seu contributo para o plano pastoral da Arquidiocese de Braga, querendo, tal como a Igreja que amava “(…) «ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho»” (EG 114). (cf. Arquidiocese de Braga, Programa Pastoral 2018/2019, 26-27)».

E era neste caminho que entendia que o seu trabalho nas várias instituições ligadas à Igreja bracarense lhe dava forças para levar a cabo o seu múnus sacerdotal, sabendo que – cada uma a seu modo –, o «crescimento» de uma empresa, tal como o «de uma árvore precisa de tempo para criar raízes que lhe permitam sustentar o crescimento do tronco e dos ramos. Depois, mais tarde ou mais cedo», hão de começar «a despontar os primeiros frutos». E deste factor multiplicador podemos ser hoje, facilmente, testemunhas, observando o muito que cresceram as empresas que criou, dirigiu e orientou.

Na edição do Diário do Minho de 17 de janeiro de 2019, o Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, compartilhou com todos a vontade do Cónego Fernando em ser missionário. Tenho para mim que em tudo o que fez estava a resposta a este seu desejo.

Assim todos nós, colaboradores das várias instituições fertilizadas pelo Cónego Fernando Monteiro, saibamos honrar e preservar a memória de um homem que se colocava a si próprio, e sempre, em último lugar.

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Hoje, o Grupo Diário do Minho, a Oficina de S. José, a Paróquia de S. José de S. Lázaro, a Irmandade de S. Bento da Porta Aberta e a Família lembram o Cónego Fernando Monteiro com a celebração de missas de 1.º aniversário de falecimento: às 10h30, na Basílica de S. Bento da Porta Aberta – onde, às 11h00, é também apresentado um livro em sua homenagem; às 17h00, na Basílica dos Congregados; às 17h30, na Sé Catedral de Braga; e, às 18h30, na igreja paroquial de S. Lázaro.



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