Espaço do Diário do Minho

Domingo da Palavra de Deus 5
16 Jan 2020
Silva Araújo

Concluo a série de artigos escritos sobre o Domingo da Palavra de Deus.

15. Uma forma de ler a Bíblia é o que se chama a leitura orante da Palavra de Deus (lectio divina).

Lembro, brevemente, as suas etapas fundamentais:

Principia com a leitura (lectio) do texto, que suscita a interrogação sobre um autêntico conhecimento do seu conteúdo: o que diz o texto bíblico em si?

Sem este momento, corre-se o risco de que o texto se torne somente um pretexto para nunca ultrapassar os nossos pensamentos.

Segue-se a meditação (meditatio), durante a qual o leitor se pergunta: que me diz o texto bíblico?

Aqui cada um, pessoalmente mas também como realidade comunitária, deve deixar-se sensibilizar e pôr em questão, porque não se trata de considerar palavras pronunciadas no passado, mas no presente.

Um terceiro momento é a oração (oratio), que supõe a pergunta: que dizemos ao Senhor, em resposta à sua Palavra?

A oração enquanto pedido, intercessão, ação de graças e louvor é o primeiro modo como a Palavra nos transforma.

A lectio divina conclui-se com a contemplação (contemplatio), durante a qual o leitor assume como dom de Deus o seu próprio olhar, ao julgar a realidade, e interroga-se: qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor me pede?

São Paulo, na Carta aos Romanos, afirma: «Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, a fim de conhecerdes a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável e o que é perfeito» (12, 2).

De facto, a contemplação tende a criar no leitor uma visão sapiencial da realidade segundo Deus e a formar em si «o pensamento de Cristo» (1 Cor 2, 16).

Aqui a Palavra de Deus aparece como critério de discernimento: ela é «viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes; penetra até dividir a alma e o corpo, as junturas e as medulas e discerne os pensamentos e intenções do coração» (Hb 4, 12).

Há que recordar ainda que a lectio divina não está concluída, na sua dinâmica, enquanto não chegar à ação (actio), que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade.

16. Em conclusão:

A Bíblia não é um livro para exibir com luxuosa encadernação, recheado de artísticas ilustrações.

É um livro para ter à mão e manusear diariamente. Sobretudo o Novo Testamento. E neste, o destaque vai para os Evangelhos.

Temos a preocupação de conhecer as palavras dos homens através da leitura de jornais e de programas noticiosos na Rádio e na Televisão. E o conhecimento da Palavra de Deus?

A Bíblia é lida como um recado que Deus nos envia. Procuramos conhecê-lo e pô-lo em prática.

Sem, de forma alguma, menosprezar outros apoios, refiro dois:  a página dos Dehonianos na Internet e o «Evangelho Diário», da Editorial AO.

A página dos Dehonianos apresenta, para cada dia, uma forma de fazer a lectio divina das leituras da Missa do dia.

Desde há tempos que a Editorial AO vem publicando anualmente o «Evangelho Diário». Contém o texto do Evangelho proclamado na Missa de cada dia, acompanhado de uma oração.

Numa coisa insisto: a leitura da Bíblia deve influir na vida de cada um de nós.

Que, através do que fazemos e de como o fazemos; do que dizemos e como o dizemos; da forma como nos tratamos, se possa concluir sermos dos que leem o Evangelho.



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