Espaço do Diário do Minho

Decálogo contra o alarmismo verde – Como deverá agir um cristão? (1)
16 Jan 2020
Carlos Aguiar Gomes

Vivemos um tempo ímpar na história da humanidade, cheio de potencialidades e de bem-estar como nunca. Ímpar, também, pelo medo de viver. A nossa sociedade está mergulhada em ameaças. Umas reais. Outras impostas pelo “politicamente correcto” e pelo “pensamento único”. Por exemplo, quem ousar levantar, um pouco que seja, a sua voz de discordância face a determinados temas, logo é apodado de “fundamentalista”, “fascista” ou outros epítetos similares que têm a função de nos postergar para as profundezas do esquecimento.

Os “media” fazem o seu papel de lacaios da moda, salvo as raras excepções: Os “pensadores”, “comentadores” e os “opinion makers” da moda têm todos os palcos disponíveis das televisões aos jornais e revistas. Felizmente nas chamadas “redes sociais” há espaço (ainda) para os inconformistas e para os defensores da verdade livre.

O título deste artigo retirei-o de um artigo que li, recentemente no (Osservatorio Cardinal van Thuân, 12.Dez.2019), do jornalista italiano, Stefano Fontana. Achei-o de tal modo actual e oportuno que me permito transcrevê-lo, no sentido de ajudar os meus leitores a terem outras perspectivas que não as impostas no nosso ambiente altamente tóxico, do ponto de vista das ideias. Aqui vai o texto (que será publicado em duas partes) de Stefano Fontana, que subscrevo na íntegra e que lamento não ter sido eu a escrevê-lo:

  1. «Em primeiro lugar deve ter respeito pelo tema. Não há acordo entre os cientistas sobre as causas antropogénicas do aquecimento global.E não há acordo, portanto, sobre a oportunidade ou necessidade de provocar mudanças custosas no comportamento humano, dado que estes não são a causa das mudanças climáticas. Uma pequena variação do aquecimento no Oceano Pacífico tem um impacto no clima do planeta infinitamente mais elevado do que todas as intervenções humanas. A fé leva o católico a usar a razão, portanto, a não passar por cima da ciência e não fazer que diga o que não disse.
  2. Segundo, o católico deve ser realista e não esconder o facto de que as supostas intervenções humanas para reduzir o aquecimento global teriam um preço muito alto. É razoável pensar que, portanto, há consideráveis interesses por detrás do ênfase que existe para que se decidam estas intervenções. Se se condena a especulação económica das empresas num sector, o mesmo deve fazer-se para os de outro sector. A green economy não é celestial no fundo.
  3. Em terceiro lugar, o católico não deveria abandonar-se a alarmes terroristas: recentemente o jornal “Avvenire” (N.T. – jornal italiano) titulou “Última chamada para o mundo”. O milenarismo dos ecologistas conhece-se desde há muito tempo e são inumeráveis as predições que fizeram no passado sobre o suposto colapso do nosso planeta, sobretudo devido à sobrepopulação. Predições que não se tornaram realidade. O católico não deveria deixar-se levar por estas predições catastróficas, especialmente se não têm base científica.
  4. Em quarto lugar, a posição católica, especialmente expressa pela Santa Sé ou pelas Conferências Episcopais, nunca devem moldar-se a decisões políticas. Deveríamos abster-nos, por exemplo, de apressar-nos a tomar como próprias as decisões da Cimeira de Paris ou da de Katovice (2018). São decisões políticas, referem-se a escolhas contingentes e complexas, corre-se o risco de se ser considerado parte. A Igreja deveria propor os grandes princípios, não aderir a soluções políticas que dividem os “ bons” dos “ maus”. Já não o faz noutras áreas por que deveria fazê-la nesta?
  5. Quinto lugar, o católico não deveria usar a expressão “Mãe Terra”, especialmente com maiúsculas e não dar a sua adesão aos documentos que usam esta expressão gnóstica, esotérica e idólatra. Tão pouco deve recorrer a S. Francisco e ao seu Cântico das criaturas para este uso, que não teria nada a ver com o esoterismo. Infelizmente, sem dúvida, muitos documentos eclesiais agora usam a expressão, até ao ponto de não falar de Cristo mas da Mãe Terra.

(Continua na próxima semana )



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