Espaço do Diário do Minho

Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (46) Os lugares e as pessoas são as verdadeiras fontes da verdade – A atividade maçónica
14 Jan 2020
Salvador de Sous

As perseguições fizeram-se sentir logo em 1917 contra os pastorinhos e por todos aqueles que os apoiavam e acreditavam neles. A Maçonaria, força poderosa da época, com o seu ódio satânico a Deus e a Maria, tudo fez para abafar e desacreditar o que se estava a passar na Cova da Iria, provocando, ameaçando, ridicularizando, usando a violência, a mentira, o ridículo e toda a maldade para tentar, a bem ou a mal, concretizar os seus maléficos intentos. Apesar disso, nada surtiu efeito e o interesse pelas aparições crescia, cada vez mais, no país e no mundo. Os videntes, a família (sobretudo quando interiorizaram a mensagem das crianças) e todos os crentes nunca se amedrontaram, antes pelo contrário, sentiram e revelaram uma grande revolta com o que estavam a fazer àqueles pobres inocentes.

Concentração junto à Igreja de Fátima

As forças anticlericais, logo em agosto de 1917, quiseram organizar um comício junto à Igreja de Fátima, na hora da missa. Para isso, propagandearam, de uma maneira extrema, esse propósito de má índole com panfletos pelas terras de Fátima e populações vizinhas de Vila Nova de Ourém, Torres Novas… contendo mensagens insultuosas, convidando o povo liberal a comparecer no adro da Igreja de Fátima, no final da missa dominical.

O Pároco e os clérigos das paróquias das redondezas, secretamente, avisaram o povo do problema que se estava a passar, sendo a missa celebrada na Capela da Ortiga, fechando a Igreja de Fátima, assim como todas as casas à volta. O perigo era enorme, pois os cabos de ordens da freguesia de Fátima (antigos elementos da regedoria), mobilizados e ameaçados, a polícia de Torres Novas e a de Leiria compareceram, em força, à porta da Igreja, mas a população não apareceu ali. Os dirigentes falaram apenas para as forças de ordem acompanhados de apupos e cenas de revolta de crentes que se encontravam numa pequena elevação de terreno distante do local. Os polícias e os cabos acorreram logo ao sítio, cumprindo ordens de prisão, mas não tiveram coragem de perseguir fosse quem fosse, juntando-se, também eles, à causa dos populares. Foi uma iniciativa falhada e humilhante para os que desejavam fazer a primeira guerra contra as aparições.

O assalto ao local das Aparições

Após o falhanço referido, as forças maquiavélicas não desistiram e logo tentaram prosseguir estes atos maléficos, mas receberam um grande sinal da Providência Divina, como nos relata um dos participantes: «À saída de Fátima para a Cova da Iria, o carro para-me de repente, apesar do motor continuar a trabalhar. Às instâncias dos passageiros, três vezes e já com medo, tento fazer andar o carro. À terceira vez, deu-me a impressão de que a parte dianteira se levantava e depois começou a andar, fazendo a viagem normalmente.

No dia seguinte, quis tirar o carro da garagem para trabalhar, mas não consegui pô-lo a andar. Examinei-o e tratei dele durante quinze dias e não encontrei nenhuma avaria. Só após esse tempo é que o carro começou a trabalhar. Lá o que foi, não sei, mas eu e a minha gente consideramos isso como um castigo.»

Apesar de todos esse avisos e de esses arrepios, nos dias 22 e 23 de setembro de 1917 saíram de Santarém, Vila Nova de Ourém e de outros locais em direção à Cova da Iria, apoderando-se, durante a noite, dos objetos (mesa a fazer de altar, fotografia de uma imagem de Nossa Senhora, o arco que assinalava o local das aparições, duas lanternas, duas cruzes…) e, em cortejo com meia dúzia de energúmenos, foram levados para Santarém, empunhando ramos de azinheira cortados em redor do local das Aparições, fazendo troça, entrando em Santarém às 9 da manhã do dia 23, fazendo, de seguida, uma exposição num primeiro andar de um prédio, no largo do Seminário, com entradas pagas a favor das cantinas escolares, mas a direção recusou esse dinheiro. Foi oferecido, posteriormente, à Misericórdia, ato que o Provedor recusou por ser um produto de ato sacrílego.

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra; realização e propriedade de Augusto Dias Arnaut e Gabriel Ferreira Marques, composição e impressão – Companhia Editora do Minho, Barcelos, editada pela Ocidental Editora, Porto, em 1953 (Papel fabricado especialmente pela Companhia do Papel do Prado em Tomar)



Mais de Salvador de Sous


Scroll Up