Espaço do Diário do Minho

Domingo da Palavra de Deus 4

9 Jan 2020
Silva Araújo

Falo ainda do Domingo da Palavra de Deus.

11. Sendo constituída por 73 livros (46 do Antigo Testamento e 27 do Novo), a Bíblia não é um livro como outro qualquer. Os seus autores materiais agiram sob inspiração do Espírito Santo.

«A Bíblia, lê-se na Carta Apostólica Aperuit illis, não é uma coletânea de livros de história nem de crónicas, mas está orientada completamente para a salvação integral da pessoa.

A inegável radicação histórica dos livros contidos no texto sagrado não deve fazer esquecer esta finalidade primordial: a nossa salvação.

Tudo está orientado para esta finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia, composta como história de salvação na qual Deus fala e age para ir ao encontro de todos os homens e salvá-los do mal e da morte».

«Para alcançar esta finalidade salvífica, lê-se ainda, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana» (cf. Dei Verbum, 12).

«O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida» (2 Cor 3, 6)».

12. A Bíblia é para ser lida por todos os crentes.

«Não pode, escreve o Papa, ser património só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados. Pertence, antes de mais nada, ao povo convocado para a escutar e se reconhecer nesta Palavra.

Muitas vezes surgem tendências que procuram monopolizar o texto sagrado, desterrando-o para alguns círculos ou grupos escolhidos.

Não pode ser assim. A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-a, passa da dispersão e divisão à unidade.

A Palavra de Deus une os crentes e faz deles um só povo».

13. Devendo ser objeto de leitura diária, que a Bíblia não seja lida de qualquer maneira.

Recomenda-se que, no início, o leitor invoque o Espírito Santo, sob cuja inspiração foi escrita, para que o ajude a descobrir o que, hoje, nos quer dizer.

«A ação do Espírito Santo – continuo a citar a Carta Apostólica – não diz respeito apenas à formação da Sagrada Escritura, mas atua também naqueles que se colocam à escuta da Palavra de Deus.

É importante a afirmação dos padres conciliares, segundo a qual a Sagrada Escritura deve ser «lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita» (Dei Verbum, 12).

«Com Jesus Cristo, a revelação de Deus alcança a sua realização e plenitude; e, todavia, o Espírito Santo continua a sua ação.

De facto, seria redutivo limitar a ação do Espírito Santo apenas à natureza divinamente inspirada da Sagrada Escritura e aos seus diversos autores.

Por isso, é necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica (cf. ibid., 10) e quando cada crente faz dela a sua norma espiritual».

14. A Bíblia lê-se devagar. Um bocadinho de cada vez. Tentando ver nela o recado que Deus tem, neste momento concreto, para quem a lê.

É bom prestar atenção às notas explicativas. Às vezes não deixará de ser útil o recurso a um comentário elaborado por alguém com autoridade.



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