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Morreu Benjamim Pereira “figura marcante” de Viana e da antropologia em Portugal

Nasceu em Carreço em 1928.

Redação / NC
2 Jan 2020

O antropólogo Benjamim Pereira morreu na quarta-feira, aos 91 anos, em Viana do Castelo, disse hoje o diretor do Museu Nacional de Etnologia, do qual foi fundador e “figura marcante da antropologia em Portugal”.

Benjamim Pereira morreu no Hospital de Viana do Castelo, ao qual tinha recorrido após doença súbita, segundo Clara Saraiva, presidente da Associação Portuguesa de Antropologia (APA), sua amiga de longa data.

O diretor do Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, Paulo Costa, disse: “Foi uma pessoa marcante para a antropologia e a museologia em Portugal. Foi um dos grandes edificadores do museu, quer na recolha das coleções portuguesas, quer na investigação”.

Benjamim Pereira tinha completado 91 anos a 25 de dezembro último.

Nasceu em 1928, em Carreço (Viana do Castelo), e foi um dos pioneiros da investigação em etnologia e antropologia, através do seu trabalho no Centro de Estudos de Etnologia, e no futuro Museu Nacional de Etnologia, a par de António Jorge Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Jorge Dias, Margot Dias e Fernando Galhano.

“Foi com imensa tristeza que recebi esta notícia”, comentou Paulo Costa, que trabalhou com o antropólogo a partir de 1993, quando entrou no Museu de Etnologia, e de quem viria a tornar-se amigo.

Benjamim Pereira manteve uma colaboração com o Museu de Etnologia – fundado em 1965 – até 2000, nomeadamente assegurando a realização das exposições como “Memorial de Culturas” (1994), “O Voo do Arado” (1996) e “Instrumentos Musicais Populares Portugueses” (2000), para além da organização das Galerias da Vida Rural (2000), as primeiras reservas visitáveis do museu.

“É uma grande perda porque, mesmo depois de se ter aposentado, continuou ativo e a apoiar muitos projetos museológicos, de norte a sul do país, nomeadamente o Museu da Luz, no Alqueva, entre outros”, indicou o diretor.

Benjamim Pereira também coordenou o projeto de recolha etnográfica do Museu Abade de Baçal, em Bragança, inaugurado em 2006, colaborou com o Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, com o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior e com o Museu do Canteiro, em Alcains, ambos em Castelo Branco.

“Era uma pessoa incansável, disponível, e com imenso saber, a quem os antropólogos recorriam sempre que tinham dúvidas. Deu um grande contributo na década de 1950, para o renascer da antropologia em Portugal, porque deu a conhecer a realidade do país, num trabalho incansável, de grande rigor”, descreveu Paulo Costa.

Paralelamente, deixa diversas publica¬ções, entre elas a obra “Tecnologia Tradicional do Azeite em Portugal” (1998), e a colaboração no livro “Uma Imagem da Nação: Traje à Vianesa”, (2009).

O livro “Caminhos e Diálogos da Antropologia Portuguesa. Homenagem a Benjamim Pereira” foi editado na sequência de um colóquio de tributo realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2010.

Foi autor, com Ernesto Veiga de Oliveira, de vários filmes etnográficos, entre os quais “A Dança das Virgens” (1962), “Uma Malha em Tecla” (1970), “São Bartolomeu do Mar” (1970), e “O Linho” (1978).





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