Espaço do Diário do Minho

Domingo da Palavra de Deus 2

26 Dez 2019
Silva Araújo

Prossigo com o tema do Domingo da Palavra de Deus.

4. Quando participam nas diversas celebrações, e não apenas na Missa, os crentes contactam com a Palavra de Deus.

«Sagrada Escritura e Sacramentos, lê-se na Carta Apostólica, são inseparáveis entre si.

Quando os Sacramentos são introduzidos e iluminados pela Palavra, manifestam-se mais claramente como a meta dum caminho onde o próprio Cristo abre a mente e o coração ao reconhecimento da sua ação salvífica.

Neste contexto, é preciso não esquecer um ensinamento que vem do livro do Apocalipse; lá se ensina que o Senhor está à porta e bate. Se uma pessoa ouvir a sua voz e Lhe abrir a porta, Ele entra para cear junto com ela (cf. 3, 20).

Cristo Jesus bate à nossa porta através da Sagrada Escritura; se ouvirmos e abrirmos a porta da mente e do coração, então Ele entra na nossa vida e permanece connosco».

5. É necessário que quem assume a responsabilidade da proclamação da Palavra de Deus o faça com consciência e competência. Sem pressas mas também sem estar a soletrar. Sem engolir qualquer das silabas. Ajudando as pessoas a entenderem o que é lido.

A leitura deve ser cuidadosamente preparada.

Ser leitor é prestar um serviço à comunidade. De forma alguma deve ser encarado como uma oportunidade para se julgar superior ou se mostrar. Para exibir toilettes, às vezes pouco ou nada recomendáveis, como acontece, sobretudo, em celebrações do Matrimónio. O ambão não é uma passerelle por onde desfilam modelos.

6. É igualmente necessário que a Palavra de Deus seja oportunamente explicada. A isso se destina a homilia, que tem por missão, sem talhar carapuças, como que atualizar a Palavra de Deus e ajudar a levá-la para a vida.

Escreve o Papa Francisco na referida Carta:

«Nesta unidade gerada pela escuta, primariamente os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura. Uma vez que é o livro do povo, todos os que têm a vocação de ser ministros da Palavra devem sentir fortemente a exigência de a tornar acessível à sua comunidade.

De modo particular, a homilia desempenha uma função totalmente peculiar, porque possui «um caráter quase sacramental» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 142). Introduzir profundamente na Palavra de Deus, com uma linguagem simples e adaptada a quem escuta, requer do sacerdote que faça descobrir também «a beleza das imagens que o Senhor utilizava para incentivar a prática do bem» (Ibid., 142). Trata-se duma oportunidade pastoral a não perder!»

Para muitos dos nossos fiéis, acrescenta o Papa, a homilia «é a única ocasião que têm para captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária.

Por isso, é preciso dedicar tempo conveniente à preparação da homilia. Não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas.

Sobretudo a nós, pregadores, pede-se o esforço de não nos alongarmos desmesuradamente com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes.

Se nos detivermos a meditar e rezar sobre o texto sagrado, então seremos capazes de falar com o coração para chegar ao coração das pessoas que escutam, de modo a expressar o essencial que é recebido e produz fruto.

Nunca nos cansemos de dedicar tempo e oração à Sagrada Escritura, para que seja acolhida, «não como palavra de homens, mas como ela é realmente, palavra de Deus» (1 Ts 2, 13).



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