Espaço do Diário do Minho

Às vezes, raras, brilham luzeiros nestas trevas
19 Dez 2019
Carlos Aguiar Gomes

Dom António Couto, Bispo de Lamego, na apresentação da reedição fac-simile da interessantíssima, oportuna e útil obra “LORETO LUSITANO – Virgem Senhora da Lapa”, cuja primeira edição completa este ano 300 anos inicia o seu texto com estas palavras sábias:

«Com maior ou menor clareza e lucidez, todos nos vamos apercebendo que atravessamos hoje um mundo difícil, atordoado, opaco e hostil, difícil de habitar e de classificar: um mundo sem rostos, sem referências, sem pradarias, sem caminhos, sem fontes e sem céu. Parece que também sem chão. Há quem o chame de pós-moderno e pós-iluminista, mas também se veem já mãos erguidas a exibir as etiquetas de pós-ideológico, pós-religioso, pós-cristão, pós-moral, e mesmo pós-humano. E aqueles que gostam de escavar mais fundo a paisagem que lhes surge pela frente, avançam já que estamos a viver numa sociedade póstuma, onde, como se lê no Livro da Sabedoria, “os vivos já não são suficientes para sepultar os mortos” ( Sabedoria 18,12)».

Depois de ler este primeiro parágrafo da dita “Apresentação”, a minha vontade era dar por terminado este meu artigo, tal a clareza, profundida de análise e acerto das palavras do Senhor Dom António, que uma TAC sociológica não conseguiria fazer melhor.

Sim, tem toda a razão o Bispo de Lamego nas palavras com que inicia o seu extraordinário texto, aliás como é seu timbre e já nos habituou com os seus luminosos escritos. É, assim, esta nossa sociedade de «felicidade bovina”, de pastos altamente tóxicos e que “verdejam”(?) em todas as latitudes. Uma sociedade que entrou em fase de autólise.

Graças a Deus, aparecem algumas vozes dissonantes nestas “pastagens tóxicas”. São muito poucas, mas ousadas, já que o silêncio de tantos é ruído ensurdecedor se não mesmo conivente e, se falam, ainda confundem mais os que querem e clamam por palavras claras que sejam referências sólidas.

Quero trazer, aqui e neste artigo, uma brevíssima referência à coragem dos Bispos do Gana, um país pobre de África, mas rico na defesa dos valores humanos. Assim, vamos aos factos. A UNESCO, que depende da ONU, presidida por Guterres, há muito que tem em marcha uma campanha de “deseducação” dos povos. Todos já devemos ter dado conta. Por exemplo, se um determinado país, pobre de preferência, e a precisar de matar a fome aos seus cidadãos e de os alfabetizar, recebe apoio daquela instituição, esta impõe um roteiro de, por exemplo, promover campanhas de educação sexual das crianças (aliás ela está em marcha em Portugal, com enorme força e com o silêncio dos pais, e não só!…). Chama-se este programa da UNESCO, em apreço, “Comprehensive Sexuality Education”. Uma vasta campanha cheia de recursos financeiros, suportada pelas redes homossexuais e mundialistas com o fim de transformar as mentalidades dos mais novos. Mas, caros leitores, o Presidente da República do Gana, Nana Akufo-Addo, perante a reacção forte, corajosa, destemida e frontal, da Conferência Episcopal Ganesa, presidida pelo Arcebispo Tamale, Dom Phlip Naamale , em 11 de Novembro passado, aquele dirigente viu-se na obrigação de prescindir dos milhões de dólares que estavam à disposição dos emissários da destruição dos valores humanos fundamentais. São da Conferência Episcopal do Gana estas palavras assombrosamente claras, que não deixam dúvidas e que mudaram o rumo da Educação no Gana:

«Opomo-nos muito firmemente a toda a CSE (Comprehensive Sexuality Education) que ensina a aceitação dos LGBTQ e o casamento homossexual como normal» ou «Não pertence a interesses supranacionais financiar o governo a fim de aplicar uma tal política, são os pais os primeiros responsáveis».

E assim, o Governo ganês deixou de manipular as crianças e jovens de acordo com agendas que minam a sociedade.

Basta olhar o que está à nossa volta nas escolas, nos media, na publicidade…, para ver como a “felicidade bovina” dos portugueses se alheia de tudo…

O meu profundo agradecimento à Conferência Episcopal Católica do Gana pela sua coragem, firmeza na defesa de valores inegociáveis e ousadia preciosa de terem ido contra a corrente do “politicamente” correcto.



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