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A Rua de Souto e a Rua D. Diogo de Sousa já vivem com alegria os preparativos para o Natal que se aproxima.

Redação
4 Dez 2019

Na Rua do Souto e na Rua D. Diogo de Sousa, duas das mais centrais e características ruas da cidade, já não faltam preparativos para a noite mais bela do ano.  Na grande concentração de lojas comerciais que se estende pelas duas artérias, o movimento aumenta de dia para dia e a decoração empresta um brilho e uma luz especial àqueles dois arruamentos do centro histórico.

Mandada abrir por D. Diogo de Sousa, num caminho ladeado de castanheiros e outras árvores, a Rua do Souto dava acesso ao antigo castelo de Braga, na cidadela, destruído em 1906. A madeira daquelas árvores serviu para a construção da abóbada da Sé. A rua do Souto começa no largo do Paço e termina no largo Barão de São Martinho. Também já se chamou rua Rodrigues de Carvalho, entre 1897 e 1942, data esta em que voltou novamente a ter o nome primitivo.

Em finais da Idade Média era uma das artérias onde se encontravam as casas de maiores dimensões e de melhor qualidade, na sua maioria, da propriedade do Cabido, à excepção de certos edifícios que possuíam a mitra.

O Cabido detinha também a maior parte das casas da rua Nova de Sousa (actual rua D. Diogo de Sousa). Eixo fundamental da cidade, a rua D. Diogo de Sousa define com a rua do Souto a metade norte e a metade sul de  Braga. 

Por ela os novos arcebispos faziam a sua entrada solene na cidade. Nesta rua destacam-se a Igreja da Misericórdia e, o edifício-sede da Associação Comercial (ACB) de Braga.

Artéria tipicamente comercial, onde predominam as lojas de vestuário, sapatarias, ourivesarias e paramentarias, as duas ruas ganham nesta altura um colorido especial, muito à custa desta azáfama do comércio.

Filomena Soares, proprietária da Foto Beleza, um dos mais antigos estabelecimentos comerciais da rua, vive todos os anos esta quadra com especial alegria. 

O negócio foi herdado dos seus pais, em especial da mãe, que foi durante anos funcionária da Foto Beleza, até que em 1923 assumiu a gestão do negócio, quando tinha apenas 18 anos.

«A minha mãe casou depois com o meu pai, que também era fotógrafo, e os dois deram seguimento à casa, que eu acabei por herdar», contou.

O Natal é uma das tradições vividas com mais carinho na loja, embora a arte da fotografia já tenha tido melhores dias, e Filomena Soares gostaria que, à semelhança do que se falava há anos atrás, a rua pudesse ser tapada, pelo menos nesta altura das chuvas, criando um espaço de passeio aprazível em dias de chuva.

Na loja Carlos Pires Joalheiro, também naquela rua, o negócio ainda está a começar, mas segundo a funcionária Susana Silva, esta continua a ser uma das épocas mais fortes do ano, com vendas que vão das mais simbólicas às mais representativas.

Ambas as comerciantes deixaram aos clientes os votos de Feliz Natal e tanto na Rua do Souto como na Rua D. Diogo de Sousa comerciantes e moradores esperam um dos mais felizes natais de sempre.

 

Freguesias à espera do melhor Natal

Apesar de tão próximas a Rua do Souto e a Rua D. Diogo de Sousa pertencem a duas diferentes freguesias do centro histórico da cidade. Se a primeira pertence à freguesia de S. João do Souto e a segunda à da Sé, ambas são igualmente características e constituem o centro de algumas das tradições natalícias da cidade.

O presidente da União de Freguesias de S. Lázaro e S. João do Souto, João Pires, deposita grandes expetativas para o Natal deste ano, e acredita que agora que a iluminação já se encontra ligada, o Natal deste ano ultrapassará, em termos comerciais, o de anos anteriores.

João Pires enalteceu as diversas iniciativas levadas a cabo quer pelo Município de Braga, quer pela Associação Comercial (ACB), que muito contribuem para a animaçao da époa natalícia.

«Este ano destaco a instalação da pista de gelo no Largo S. João de Souto, que traz outra alegria àquela zona da nossa União de Freguesias, em  especial para as crianças», afirmou.

Segundo o autarca a freguesia não tem muitas tradições natalícias vincadas, já que este é um tempo de recolhimento, muito passado no seio de cada família.

«Mas claro que não podia deixar de destacar a tradição do Bananeiro, precisamente na Rua do Souto, e o hábito de beber moscatel e comer uma banana antes da ceia de Natal», recordou.

De resto, o Natal do Bananeiro terá surgido há cerca de quarenta anos atrás, quando comerciantes da Rua do Souto se reuniam à porta do número 26, ao final da tarde do dia 24 de dezembro, para desejar “Boas Festas”, acompanhados de um cálice de vinho moscatel e uma banana.

Por seu turno, oo presidente da União de Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade, Luís Pedroso, incentivou à iluminação de um maior número de ruas nesta época natalícia, num esforço partilhado entre o Município e a ACB.

No que respeita às tradições natalícias, recordou precisamente uma tradição recente, implementada pela ACB: o “Bolo-Rei Gigante”, que arrancou na Rua D. Diogo de Sousa, estendendo-se posteriormente à Rua do Castelo.

Quanto às tradições de outrora, Luís Pedroso recorda a realização dos presépios na Sé Catedral e incentiva os agrupamentos de escuteiros das freguesias a retomar esta tradição «que estimula uma vivência associativa e um reencontro comos costumes que marcam a nossa cidade».




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