Espaço do Diário do Minho

O mundo dos videirolas

29 Nov 2019
Artur Soares

Um historiador australiano, há pouco mais de um ano fez a seguinte afirmação: “As rebeliões no mundo contemporâneo não são revolucionárias – ou não o são ainda”. Entende-se a afirmação e aceita-se como distingue o acto de rebelião com o de revolução. A rebelião é ocasional, temporária, é onda que se levanta e que precisa de tempo para se desmoronar. Revolução é outra coisa: trata-se de desmoronar um sistema político, pretender outro bem diferente do sistema derrubado, etc. Nas revoluções, normalmente os seus actores, são sindicatos devidamente organizados, militares no activo ou movimentos poderosos que, tendo por trás certas ajudas de acção jornalística e económica, revolucionam, derrubam, modificam.

Quem viver atento a reivindicações das sociedades, de sindicatos populistas ou à existência de forças herméticas em qualquer canto, verifica que, actualmente, estamos frente a rebeliões que, desde a segunda metade do século passado até aos nossos dias, se vem organizando. E sendo verdade que estas rebeliões agitam, perturbam, desestabilizam políticos e governantes, mais admirável é de concluir que noventa por cento destes activistas são jovens e pouco mais que isso. Assim sendo, que pretendem estes actores da rebelião? Que programa de vida reivindicam? Qual é o futuro que pretendem construir, que harmonia defendem e que bases ou sabedorias têm para actuarem à sombra de rebeliões? É do conhecimento geral que os jovens de hoje não aceitam regimes totalitários, admiram a liberdade etc. Mas, como adquirem ou enfrentam a responsabilidade, o duro da vida, a vontade da competência e o absoluto respeito das opiniões dos outros?  

Disse um pensador sueco, que “olhando para as rebeliões crescidas e alimentadas em variadíssimas partes do mundo, tudo caminha para uma guerra global”. Dizia ainda aquele filósofo, que tal situação evidente, “nela já há de tudo para em qualquer canto, o rastilho se acender”. Conhecemos, porque diariamente informados, os países onde a pólvora existe e é só uma questão de reflectir. O perigo é visível, o pote existe sobre o fogo e os ingredientes – nós, o povo – sentimo-lo a cada hora que passa. 

Sabemos que há governantes que apenas serviriam para escovar cavalos nas cavalariças. Sabemos do egoísmo de tantos lideres, que tudo esmagam para exercer o poder; sabemos da cleptomania e da endogamia política que cresce por este mundo fora e sabemos da corrupção que esmaga, tornando-se esta gente no mundo dos videirolas. Tais governantes, tais videirolas infiltrados na Saúde, no Ensino ou na Economia, serão sempre os vomitados daqueles que buscam a paz, o trabalho e o direito de serem felizes. E se buscam a vida fácil, a jactância e o dinheiro mal ganho, tempo não têm para pensar que, por causa dessas formas de ser e de estar em sociedade – sendo norma – pode passar-se de rebelião para revolução e desta para uma guerra de que fala o pensador sueco. E sabe-se também, que os fanáticos do poder – os tais videirolas – pouco ou nada se importam que surja a guerra, pois tal género de homens não têm filhos para servirem na guerra.

Abomino a guerra. Servi, obrigatoriamente a guerra. Fui reduzido a “coisa”, a bicho com os outros bichos existentes no terreno, onde os videirolas do poder se preocupavam mais se, alguma viatura tinha ficado destruída. Mas nunca perguntavam se tinha havido mortos em combate. 

Portugal, dizia um dia destes um (nosso) ministro, é um dos países mais seguro do mundo. Desconhece este servidor do povo, que embora o povo queira e defenda a democracia, o estado social falha, a pobreza reina em mais de dois milhões de portugueses, a dívida nacional é um descalabro e o seu Partido, conjuntamente com certa Comunicação Social, manipulam o povo, mente-lhe. Esquece este senhor ministro, que o século passado foi rico em regimes fascistas e comunistas, com guerras civis, nacionalistas etc. Esquece este senhor ministro que o vinte e cinco do quatro apenas derrubou a polícia política de então e que deixou à deriva, ao sabor da corrente e do tempo as outras polícias de segurança, que hoje têm no seu ventre um Movimento chamado Zero, sem rosto.

Rebeliões, revoluções e guerra: eis o pão que se tem ofertado aos povos indefesos, injustiçados, ostracizados. Não é por acaso que o Papa Francisco, tendo visitado as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, onde a falta de eco se verificou em toda a Comunicação Social – principalmente a afecta a vários “ismos” de esquerda – pediu que se acabasse com a cultura do medo e com as armas nucleares, bombas atómicas, como o mundo conheceu. Pelo que, defendemos um mundo de fraternidade, de competências, de verdade e dizemos veementemente não, ao mundo oportunista dos videirolas entre os povos.

(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)  



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