Espaço do Diário do Minho

Uns metem água, outros não
8 Nov 2019
Artur Soares

1 – Tem sido notícia que o rio Tejo vai seco, que os prejuízos são enormes e há quem aponte à “seca” o facto de pouco ter chovido, mas, e sobretudo, porque a Espanha não atende à Convenção de Albufeira de 1998: deixar que o caudal combinado entre os dois países se cumpra. O caudal não corresponde ao compromisso assumido e, como o Tejo nasce na zona central de Espanha, a água do Tejo chega ao nosso país segundo a vontade dos espanhóis e, a Convenção entrou em coma: não há caudal d’água.

O Movimento próTejo, preocupado com o comportamento dos espanhóis sobre a quantidade de água a libertar, insiste e defende de que há absoluta necessidade da revisão da referida Convenção, de forma que o país tenha a água a que tem direito e, mesmo pelo absoluto respeito que o percurso da água escolheu: passar por Portugal.

Como é evidente, tal estado de coma tem somente uma solução: negociar o caudal com gente séria e honrada. Negociar com firmeza e não permitir malabarismos, que são o forte dos nossos vizinhos. Como se sabe, a Comunidade Europeia pode meter-se no assunto e dizer a uns e a outros que não podem meter água nas Convenções,  mas sim metendo-a no percurso que o Tejo quer galvanizar.

De Espanha, diz o povo, “não vem bom vento nem bom casamento”. Os espanhóis tiveram sempre dificuldade em nos olhar de frente. A história está cheia de habilidades políticas, económicas e territoriais de Espanha, contra os interesses de Portugal. São raposas a guardar galinhas no capoeiro. Recordemos que Olivença, é parte de Portugal desde 1297,  do tempo dos reis D. Dinis de Portugal e de D. Fernando IV de Castela, que em 1801 foi usurpada (Olivença) por assinatura imposta a plenipotenciário português e que, mesmo assim, teria de ser rectificado pela França o que nunca aconteceu. Ora Olivença, é terra portuguesa – reconhecida pelo Tratado de 1815 – mas que a Espanha nunca restituiu. É verdade – e vai lá saber-se porquê – os líderes políticos portugueses nunca tiveram capacidade e honra de obter Olivença, ou de proporem a Espanha um referendo sério e claro aos Oliventinos, onde se lhes perguntassem a quem desejavam pertencer.

Olivença no Alentejo, do Alentejo, prova a sua portugalidade: fala-se português, existe o Calvário das muralhas portuguesas, mandadas construir por D. João IV, existe a majestosa igreja da Madalena, e onde estão depositados os restos mortais de Frei Henrique Coimbra, companheiro de Pedro Álvares Cabral, o Palácio do Duque de Cadaval, bem como outros monumentos, casas com janelas e chaminés alentejanas, etc. Assim sendo, seria bom que a Espanha pensasse que nem tudo o que é dos outros lhe pertence, atendendo, portanto, a Convenção de 1998 acerca do Tejo e devolvessem Olivença ao seu dono.

2 – A política em Portugal vive em permanente agitação e a democracia em sobressaltos. Após a tomada de posse deste XXII Governo de António Costa – não Governo do PS – evidenciam-se altas temperaturas partidárias, onde os problemas reais do país ficarão para trás. O PSD vai a votos para saber quem será o líder ou se continua o mesmo; teremos o desfecho do “Brexit”, que ainda é a grande incógnita europeia; teremos a discussão entre comunistas, para substituir ou não Jerónimo de Sousa; iremos saber qual será o futuro do CDS, teremos a grande guerra comercial entre a China e os EUA e, como sempre, iremos mais uma vez torrar o solo português com os fogos do próximo ano.

No momento presente, na política à portuguesa, temos o grande acontecimento da deputada do Livre, Joacine Moreira, que, por defeito de comunicação na Assembleia da República, parece constranger os seus pares, porque gagueja. É evidente que tais dificuldades não permitem, de todo, expressar bem o que lhe vai na alma, o que defende etc. Mas, ninguém lhe pode negar os direitos que ganhou, pois foi democraticamente eleita. Todavia, não pode esconder-se tal inconveniência, perante a normal comunicação que deve aos seus pares e ao povo português. Mas a senhora doutora deputada do Livre, tem um problema bastante maior e que não parece fazer sangrar os políticos e o povo: é o desdém testemunhado pela sociedade portuguesa, que lhe deu tudo, quando se sabe que no seu país tudo lhe teria sido negado. Foi em Portugal que sentiu segurança e obteve os bens matérias para tirar um curso superior; foram os portugueses que a elegeram deputada e, mesmo assim, acusa os portugueses de racistas, machistas e xenófobos. Ora esta maneira injusta de estar, de Joacine Moreira, é avassaladora, errada. Logo, podemos concretizar que, uns metem água e não a têm, e outros têm-na mas não a metem.

(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)



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