Fotografia: Nuno Cerqueira

“Milinha”, a mulher que queria ser professora, fez 106 anos

106 anos de idade.

Nuno Cerqueira
6 Nov 2019

Ontem foi dia de festa na União das Freguesias de Arosa e Castelões, no concelho de Guimarães. Tudo porque a “Milinha do Pedra”, assim é conhecida Emília Fernandes Rocha, celebrou 106 anos de idade.

«Talvez Deus tenha se esquecido de mim. Mas também penso o contrário, se calhar Ele quer que ande por cá», disse por entre os sorrisos de uma mulher que ainda vai ao campo e não esquece de estar sempre bonita para umas selfies.

Lá no alto da freguesia de Arosa celebrou-se uma missa de aniversário, presidida pelo pároco “dos Presépios de Garfe”, o padre Luís Peixoto.

O dia do aniversário foi celebrado como uma celebridade, não foi ao programa da Cristina Ferreira, mas as televisões, rádios e imprensa andou o dia tudo de volta da mulher que queria ser professora.

«Não dava para todos. Era uma coisa que gostava, mas não tive oportunidade. Apenas sei assinar o meu nome porque o meu marido me ensinou», referiu, não se notando, nem na lucidez nem na locomoção, os 106 anos que carrega e que a tornou, provavelmente uma das mulheres mais velhas de Portugal.

O assento de nascimento diz que Emília Rocha veio ao mundo a 5 de novembro de 1913 e viveu até casar na freguesia vizinha de Castelões. «Cresci no Lugar da Capela que ainda lá está», recordou, lembrando também os tempos que fazia os nove quilómetros a pé para ir à “urbe” mais próxima, a terra de Maria da Fonte.

Sorrisos fortes e um carinho pelas pessoas são outras das imagens de marca da “Milinha do Pedra”, marcada pelo trabalho da lavoura acompanhada, ainda hoje, «por um pau de carvalho e não de marmeleiro», disse.

Emília reside com uma das três filhas com quem ainda faz desfolhadas. Segundo a família, não é de comer muito, mas nunca deixa de lado «uns bons bolinhos de bacalhau».

«É uma senhora fenomenal», disse o presidente da junta, José Cruz.





Notícias relacionadas


Scroll Up