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SURREAL? PODEM CRER!

Em dia que não me recordo, do passado mês de setembro, em manhã soalheira e agradável, sentei-me na esplanada de um dos cafés da nossa Bracara Augusta a tomar uma bica e, ao mesmo tempo, passar os olhos pela imprensa diária bracarense. Até aí tudo bem, não fosse o facto de o roncar de uma […]

Narciso Mendes
4 Nov 2019

Em dia que não me recordo, do passado mês de setembro, em manhã soalheira e agradável, sentei-me na esplanada de um dos cafés da nossa Bracara Augusta a tomar uma bica e, ao mesmo tempo, passar os olhos pela imprensa diária bracarense. Até aí tudo bem, não fosse o facto de o roncar de uma viatura ao estacionar, ali em frente, me ter distraído da leitura por uns instantes, mantendo-se o condutor dentro da mesma, talvez à espera de alguém. Ou para evitar pagar o parquímetro, situação recorrente do espertismo nacional, o que não me causou admiração a não ser as atitudes que se seguiram.

Depois de ter acendido um cigarro, lançando algumas baforadas de fumo para o ar, o automobilista não teve pejo algum em atirar a chamada “beata”, pela janela, para o chão. Ao que se lhe foram juntando as de mais dois ou três que, entretanto, fora fumando. Mas como o maço dos 20 “pregos para o caixão” havia acabado, amarfanhou a embalagem, agora vazia, indo esta fazer companhia às “pontas” deitadas à rua. Depois, foi ao bolso sacou de um chocolate, retirou-lhe o invólucro, esmagou-o com os dedos e zás, borda fora. A seguir, usou um lenço de papel para limpar os dedos e a boca lambuzados e truz, cresça o monte. Porém, como o vício apertava foi ao porta-luvas, mais uma remessa de tabaco e, pimba, nova camada de papeizinhos envolventes juntamente com as “priscas” seguintes.

Chegado o pendura, aquele cidadão exemplar (?) arrancou com o veículo deixando para trás, bem reforçada, a sua pegada ecológica. Ciente de que paga impostos para poder poluir e, ao que pensa, criar mais um posto de trabalho para quem irá recolher o lixo que fez. Ignorando os apelos que andam a ser feitos, tendo em vista as alterações climáticas, atuais, devido ao fator poluição no mundo.

Ora, esta é a mentalidade que continua a predominar nalgumas camadas da população portuguesa, mormente nas da nossa cidade de Braga e dos Arcebispos onde se veem, diariamente, casos semelhantes ao aqui descrito. Pois, ainda há bem pouco tempo, na rua e junto a uma caixa multibanco, a minha esposa deu com uma nota de 20€, amarfanhada, junto dos papéis espalhados pelo chão, dado terem pensado tratar-se de um deles. Isto, sem esquecer o dia em que presenciei uma criança a sair da loja do chinês, retirar do brinquedo o blister para cima do passeio, perante a indiferença da sua progenitora. Não faltando exemplos de adultos que, a toda a hora, atiram com tudo que os incomoda ao solo num imbecil contributo para a lixeirada com que, por vezes nos deparamos na nossa querida cidade. Assim, não vamos lá.

Mas que dizer sobre tais atitudes, quando tanto se fala do ambiente e de poluição? Surreal! Depois de tanta informação disponível e inúmeras campanhas de sensibilização depararmo-nos com gente que não só não lhe entra a limpeza, o asseio e o ar puro na cabeça como ainda carregam mais na tecla poluidora. É que os caminhos estão aí, plasmados por todo o lado quer na TV, rádio ou imprensa, assim como nas manifestações de ambientalistas, que nos deixam a par da situação em que se encontra o nosso planeta. E se queremos as praças, avenidas e ruas dignas de autênticas salas de visitas, para quem nos procura, temos de procurar merecer esta Roma portuguesa em que vivemos, colaborando a tempo inteiro na sua preservação ambiental.

Deveras surreais, têm sido os ataques perpetrados contra os novos ecopontos e contentores do lixo colocados, pela “AGERE/BRAVAL”, ao longo da cidade. Nada inferiores aos que existem em outras urbes europeias e, quiçá, do mundo. Ou seja, enquanto uns tentam agilizar e modernizar o equipamento para recolha de resíduos, outros há que procuram sabotar tal propósito. Isto é, apesar do esforço empreendido pelo Município, o que vamos vendo são as bocas dos ecopontos obstruídas com caixotes de papelão, malas velhas, ferro velho, etc. Assim como eletrodomésticos, colchões, sofás, etc. ao seu redor, ignorando a recolha de monstros. Surreal? Podem crer!

Destaque

Depois de tanta informação disponível e inúmeras campanhas de sensibilização depararmo-nos com gente que não só não lhe entra a limpeza, o asseio e o ar puro na cabeça como ainda carregam mais na tecla poluidora.





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