Espaço do Diário do Minho

COMPRAR MEDICAMENTOS ONLINE: SIM OU NÃO?
2 Nov 2019
Fernando Viana

Como diz avisadamente o povo, “cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Já dos medicamentos falsificados e também de muitos suplementos alimentares com alegadas propriedades medicinais publicitados largamente na televisão, Internet e em muitos jornais e revistas, não se pode dizer o mesmo.

A grande maioria dos medicamentos é vendida em farmácias e depende de prescrição médica (receita). Porém, também existem medicamentos que podem ser vendidos nas farmácias sem receita passada por médico. Permitem aliviar os sintomas incómodos e curar algumas doenças de forma simples e sem os custos e burocracias de uma consulta médica. Contudo, embora nos últimos anos tenha aumentado a automedicação por parte da população portuguesa, fomentada por causas diversas, que vão desde as dificuldades económicas de muitos consumidores em suportar os custos com uma consulta médica, passando ainda pela disponibilidade de medicamentos seguros e eficazes de venda sem receita, esta prática tem de ser gerida com muito sentido de responsabilidade pelos consumidores, sob pena de risco agravado para a saúde.

Como se sabe, nos últimos anos os medicamentos passaram a estar disponíveis em muitos mais locais do que acontecia, por exemplo, há dez ou vinte anos atrás, onde as farmácias tradicionais esgotavam a oferta do mercado. Um dos locais onde é possível comprar medicamentos é a Internet. De facto, é extremamente fácil efetuar a aquisição de medicamentos online, desde logo porque beneficia de uma maior comodidade na encomenda, bem como os preços mais competitivos em relação a estabelecimentos físicos. Tratando-se de produtos deste tipo existem muitas falsificações que são vendidas a preços muito mais baixos que o original e que levam o consumidor a cair na burla. Estes produtos são quase impossíveis de identificar a olho nu, apenas fazendo análises em laboratório se pode concluir acerca da sua composição. Assim, o consumidor comum, não tem meios para fazer esta verificação e fica assim muito mais desprotegido e sujeito a consumir estes produtos alterados.

A verdade é que a venda de medicamentos pela Internet atrai cada vez mais as redes criminosas que visam o lucro fácil com a venda de medicamentos falsificados. Esta atividade tem vindo a crescer e a espalhar-se de ano para ano, pondo em risco um número cada vez maior de consumidores no espaço europeu. A conquista para os doentes dos valores qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos conseguidos pelo progresso tecnológico é fortemente abalada quando um medicamento falsificado entra na cadeia de distribuição colocando em risco a saúde de um consumidor.

Chamamos assim particularmente a atenção dos consumidores para, caso comprem medicamentos por esta via, adotarem particulares cuidados, na medida em que a aquisição de medicamentos falsificados ou mesmo apenas de produtos com alegados efeitos benéficos na saúde pode causar prejuízos diversos, que podem ser económicos ou mesmo colocar em risco a saúde dos consumidores.

Em Portugal, o Infarmed  está atento a esta tendência da compra de medicamentos online e tem, por isso, vindo a criar campanhas de esclarecimento para alertar os consumidores sobre os perigos que podem estar associados à compra de medicamentos online.



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