Espaço do Diário do Minho

Precisamos de Santos
1 Nov 2019
Silva Araújo

Precisamos de Santos. Santos que não sejam beatos, que não sejam rabugentos, que não andem de cabeça torta, que não sejam misantropos.

Santos que saibam distinguir o essencial do secundário. Que não confundam o Cristianismo com um conjunto de devoçõezinhas mas coloquem em primeiro lugar o amor a Deus e o amor ao próximo, vivendo a consciência de que são inseparáveis um do outro.

Santos que não façam da oração uma choradeira mas uma sadia conversa com Deus, falando e ouvindo.

Santos que não sejam desmancha-prazeres mas respeitem todos os que decidem seguir por outro caminho.

Santos que se não encolham seja diante de quem for mas digam o que deve ser dito, onde, quando, como e a quem deve ser dito.

Santos que apreciem a verdade e evitem a lisonja e o elogio louvaminheiro.

Santos que, sem qualquer espécie de fanatismo, saibam afirmar os valores que defendem e os princípios por que se orientam.

Santos que saibam propor sem impor a verdade em que acreditam.

Santos que saibam falar e estar calados.

Santos que saibam ser alegres. Que, sem serem egoístas, cuidem de si e se preocupem com a felicidade dos outros.

Santos que saibam dedicar algum tempo ao convívio com doentes e idosos.

Santos que saibam apreciar o que a vida tem de bom e de belo.

Santos que saibam dar valor a tudo o que de bom fazem os outros e louvem Deus por isso.

Santos que saibam ser compassivos e misericordiosos.

Santos que saibam perdoar e pedir perdão.

Santos que saibam brincar, que saibam alegrar um ambiente e contar uma boa anedota.

Santos que saibam assistir a um jogo de futebol aplaudindo as boas jogadas e não insultando ninguém.

Santos que façam da vida um serviço desinteressado aos outros, dedicando particular atenção aos mais fragilizados.

Santos que saibam programar o seu dia de forma que tenham tempo para Deus, para si e para os outros.

Santos que saibam ser bons companheiros de trabalho, assumam a responsabilidade dos próprios erros, não compliquem a vida aos outros, evitem a intriga e a bisbilhotice.

Santos que tenham consciência da própria dignidade, não se deixem instrumentalizar nem instrumentalizem os outros.

Santos que, conscientes das próprias qualidades e defeitos, façam render o investimento que neles fez Deus.



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