Espaço do Diário do Minho

Menopausa
20 Set 2019
Etelvina Vaz Cruz

A Menopausa afeta as mulheres de forma muito diversa e ocorre por diminuição ou cessação da produção de estrogénios por parte dos ovários.

Surge habitualmente entre os 48 e os 52 anos. É uma etapa importante dado que mais de um terço da vida da mulher é vivido em Menopausa. Dá sintomas em mais de 50% das mulheres. Estes podem ser físicos e/ou psicológicos.

Os sintomas físicos são frequentemente sintomas vasomotores (calores, suores, palpitações), genito-urinários (infeções urinárias, urgência em urinar, incontinência urinária, secura vulvovaginal, dor durante o coito, comichão e sensação de calor vaginal), alterações musculares e da pele e alterações articulares e ósseas (dores articulares, nevralgias e osteoporose).

Os psicológicos são, habitualmente, depressão ou alterações do estado de humor (tristeza, abatimento, perda de interesse), ansiedade, diminuição do desejo sexual, nervosismo, irritabilidade, insónia e cansaço.

A Menopausa surge numa altura em que se adicionam outras situações, como doenças pré-existentes, envelhecimento, a saída dos filhos de casa e doenças dos pais.

A atitude perante a Menopausa é um fator muito importante. Os preconceitos prévios sobre o significado da Menopausa e dos sintomas que podem surgir influenciam a vivência e isso repercute-se na qualidade de vida.

Se as mulheres foram habituadas a ouvir que vão sentir este e aquele sintoma, que vão deixar de conseguir fazer isto e aquilo, vão mais frequentemente experienciar isso. Ou seja, se a mulher acredita que a Menopausa marca o final da feminilidade e que a espera um inferno de sintomas, está mais propensa a experimentar uma significativa diminuição da sua qualidade de vida.

É importante perguntar à mulher como se sente no sentido de avaliar a sua qualidade de vida, ou seja, a perceção que esta tem da sua situação dentro do contexto cultural, dos valores em que vive, e em relação aos seus objetivos, expetativas e interesses.

Na nossa cultura são frequentemente associados à Menopausa aspetos negativos considerando-a uma doença. Existe a ideia pré-concebida que não há nada a fazer, que é preciso aguentar tal como as mulheres das gerações anteriores aguentavam.

É cada vez mais importante esclarecer as mulheres que não se trata de uma doença, que é uma fase natural da vida e que se tiver sintomas pode e deve procurar ajuda médica.

Os tratamentos são essencialmente preventivos, começando pela manutenção da atividade intelectual, pela atividade física, mantendo uma dieta adequada, evitando certos fatores prejudiciais à saúde (dietas “pobres”, tabaco, álcool, drogas, sedentarismo) e fazendo tratamento adequado, hormonal ou não hormonal de forma a proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Na prática clínica verifica-se que muitas mulheres não procuram ajuda médica porque associam o tratamento da Menopausa à utilização de hormonas, não o querendo fazer por medo e preconceitos negativos à sua utilização.

É importante esclarecer que o tratamento é individualizado e que caso haja contraindicações para o tratamento hormonal ou caso a mulher não queira, existem tratamentos alternativos.



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