Espaço do Diário do Minho

Terrorismo do 11 de Setembro de 2001: vários significados
13 Set 2019
Gonçalo S. de Mello Bandeira

Em 11/9/01, no dia dos atentados terroristas ocorridos em solo dos EUA que provocaram cerca de 3000 vítimas e biliões de prejuízo, recordo-me que estávamos a trabalhar na sede do Grupo multinacional SO.NA.E., Lugar do Espido, E.N. 13, Via Norte, Maia, Porto. No mesmo edifício onde trabalhava o então caspitalista mais rico de Portugal, o Sr. Eng. Belmiro de Azevedo. Assim que soubemos da notícia, fizemos buscas na internet e fomos ligar uma televisão antiga mas ainda funcional que se encontrava no gabinete do anterior proprietário do conglomerado económico e financeiro SO.NA.E.., o Sr. Pinto Magalhães, ex-Patrão do Sr. Eng..

Aliás dizia-se que este último não queria que ninguém tocasse nesse escritório, com um perfeito quadro-retrato clássico, do dono pretérito. Parecia-me a mim uma espécie de simbolismo que misturava respeito genuíno com superstição dado ser público que tinham ocorrido vários processos judiciais aquando da passagem do controlo do Grupo SO.NA.E. da família Pinto Magalhães para a família Azevedo, com a morte do anterior patriarca. Estando a trabalhar onde estava, na altura entendi estes atentados terroristas como sendo realizados contra pessoas como eu próprio e os meus colegas.

Mas sobretudo contra o capitalismo ocidental. Recorde-se que as torres gémeas de Nova Iorque eram o centro do capitalismo económico e financeiro mundial, simbolizando, segundo alguns pesquisadores, o «deus do comércio» greco-romano: Hermes e Mercúrio, «deus da hermenêutica, comunicações, diplomatas, viagens, eloquência, ginástica, divinação, magia, astronomia, iniciação e guia das almas dos mortos para o reino de Hades». E se a origem da palavra «Mercúrio», é a mercadoria, Hermes chega a ser «comparado a Jesus», naquilo que o cristianismo, com lógica teológica, poderá considerar uma blasfémia. Não desfazendo que o «lucro é predestinação divina», para o cristianismo protestante: João Calvino.

Assim, quem já esteve em Nova Iorque, ou no Pentágono, na Virgínia, Arlington, como nós próprios, se apercebe com facilidade que os atentados terroristas do 11/9 têm por detrás uma notória ideologia anti-capitalismo económico e anti-militarismo seu protector. Estes sofisticados ataques terroristas suicidários foram coordenados ao pormenor pela al-Qaeda islâmica. 19 terroristas sequestraram 4 aviões comerciais de passageiros e foram colidir com 2 dos mesmos contra as referidas torres gémeas do «World Trade Center», as quais acabaram por desabar.

Um 3º avião colidiu com o Pentágono, sede militar mundial dos EUA. O 4º avião, por coragem dos próprios passageiros que tentaram recuperar o seu controlo acabou por se despenhar na Pensilvânia, EUA. No último caso evitou-se que mais pessoas morressem, pois haveria a suposta intenção de o desviar para a Casa Branca. Ainda hoje morrem pessoas vítimas de cancro derivado da poeira tóxica gerada pelos atentados. Um exemplo concreto que conheço é o meu amigo Jimmy, actual professor universitário com baixa devido a cancro e polícia reformado do New York Police Department.

Na altura foi logo ajudar o mais possível… Entre as cerca de 3000 vítimas estão pessoas de todas as etnias, religiões, incluindo islâmicos, mas também não religiosos. A «inevitável vingança», liderada pelos EUA, não se fez esperar, mesmo sem autorização da ONU em alguns casos, com o desencadear das várias guerras no Afeganistão e depois no Iraque. Esta última sob o pretexto falso da existência de armas de destruição maciça.

Enfim, dum lado e doutro, as principais vítimas continuam a ser pessoas inocentes que pouco ou nada têm a ver com criminosos de guerra. E o olho-por-olho e dente-por-dente bíblicos continuam bem vivos uma vez que houve depois novos atentados terroristas, nascendo até o Estado Islâmico, sucedendo assim como correspondentes respostas e réplicas num espiral de violência que parece não ter fim. Oxalá um dia as pessoas de Paz vençam em definitivo.



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