Espaço do Diário do Minho

Dez regras de vida segundo e seguindo S. Bento: a humildade III – b)
12 Set 2019
Carlos Aguiar Gomes

(continuação)

Vamos continuar, como nos havíamos proposto, a ajudar, com S. Bento, a conhecer melhor uma das grandes Virtudes cristãs e humanas: a HUMILDADE, o oposto da soberba, um vício que, todos os dias, temos de saber combater.

No capítulo VII da Regra, S. Bento indica-nos 12 degraus da escada da perfeição, escada por onde ele nos convida a subirmos. Não é por acaso que o Santo Monge nos dá imagem bíblica da escada Jacob. Uma subida, degrau a degrau e não uma rampa ou outra símbolo qualquer mais rápido. A escada obriga-nos a um esforço, à vontade de conseguir a força de subir degrau a degrau. Querermos subir e a presença dos degraus dá-nos a possibilidade, sem desistir, de pararmos para recuperamos.

No valioso livro «Comentario Espiritual sobre la Regla de San Benito», I. Denis Huere (Ed. Monte Cassino, Zamora,1987, pág.59/60), diz-nos que «S. Bento quer que aspiremos ao alto: desejamos alcançar o cimo e obter a nossa finalidade? Pois é necessário erigir uma escada, ainda que possamos dizer que toda a nossa vida é uma escada que flutua sem cessar em direcções diversas: desde o sentimento da impotência ou não ser compreendidos até à arrogância ou um caracter taciturno, voltado para si próprio, até à afirmação do próprio eu, etc. Por isso, ao erguer uma escada é preciso procurar um ponto de apoio o mais firme possível.».

S. Bento propõe-nos doze degraus, no capítulo VII, um dos mais extensos da sua Regra.

Já foram elencados os três primeiros degraus desta subida da escada proposta por S. Bento para “chegar rapidamente àquele celeste altura à qual se sobe pela humildade da vida presente” como diz o Santo Patriarca.

O quarto degrau da Humildade, para S. Bento, remete-nos para uma virtude humana, por vezes bem difícil de viver: a obediência aos nossos superiores (Abade ou aos Pais de família). «In omnia oboedientia», em tudo, obediência! Tomando palavras do autor e obra supracitados: «… é estar unido com que manda, colaborar, pensar em sintonia, Tal supõe que ambos falaram, se escutaram e ambas as partes estão bem informados. Então, a obediência adquire uma dimensão humana e sobrenatural» (pág. 64). Isto é humildade que nos liberta da arrogância e da soberba.

O quinto degrau da Humildade, continua a Regra de S. Bento, é ser leal e nunca fingido com o seu Abade (ou Pais, por exemplo). Textualmente, na Regra, pode ler-se: «… não ocultar ao seu abade (mas antes descobrir-lhe), com humilde confissão, todos os maus pensamentos que lhe vierem ao coração, bem como as faltas que secretamente tiver cometido.». «Pois nesta abertura ao Abade não se trata de fazer acusações intermináveis, mas dizer e expressar o fundo das próprias intenções. Não é tanto uma questão de falar antes de dar-se. É difícil, heróico, por vezes, mas é uma grande fonte de paz.». (o.c., pág. 69).

O sexto degrau de Humildade, resume-o magnificamente Huerte, na obra referida neste texto (pág. 69), assim: «… podíamos dizer que consiste em compreender, não em teoria mas mediante a experiência dolorosa da nossa miséria, o vínculo impossível de romper-se que existe entre Deus e cada um de nós. Daí brota a paz».

( Continua )



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