Espaço do Diário do Minho

À atenção de pais e educadores
12 Set 2019
Silva Araújo

1. No número 1.7 da carta pastoral «Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da Doutrina Social da Igreja», cuja leitura recomendo, alerta-se para «a imposição de ideologias contrárias à ética cristã, no âmbito do ensino, saúde ou outros, contra a qual há que alargar a possibilidade de invocar a objeção de consciência».

2. Lembro, a propósito, o que diversas vezes tenho dito: os pais são os primeiros e principais educadores dos filhos. A Igreja e a Escola têm o dever de colaborar com eles, mas não o de os substituir nem de se lhes impor.

Deve ser reconhecido aos pais o direito de escolherem o tipo de educação a dar aos filhos, o que o monopólio estatal do ensino contraria.

3. Atribuo ao vocábulo educação o sentido de formação Integral do ser humano. Inclui a prática das boas maneiras, do respeito por si e pelos outros, e a aquisição de conhecimentos. Não apenas a aquisição de conhecimentos.

Não entendo um professor que não seja, simultaneamente, um educador, com o exemplo e com a palavra. Professor que se preza, penso eu, não deve tolerar faltas de educação.

Se um aluno tem uma atitude incorreta o professor tem o dever de advertir.

4. Professores e pais devem agir em consonância. Discordo do comportamento dos pais que se insurgem contra os professores por estes não tolerarem faltas de educação.

Defendo a prática de encontros regulares entre professores e encarregados de educação. Ambos devem estar empenhados no exercício de um trabalho comum: a formação integral do ser humano.

Tais encontros não se destinam unicamente a falar das notas e a pedir água benta quando estas são negativas mas sobre tudo o que à formação do aluno diz respeito.

Quando há uma repreensão por falta de comportamento é dever dos pais conhecer a verdade do que se passou, não se ficando apenas com a versão do menino, que se apresenta como um inocentinho perante a maldade (desculpem o termo, por favor) do malandro do professor.

Algo está mal se professores e pais se desautorizam.

5. Como primeiros e principais educadores os pais têm o direito/dever de se informar do que é ensinado aos filhos. Quer no ensino público quer no ensino particular.

O regime em que vivemos, de uma cada vez mais crescente estatização do ensino, traz anexa a politização da escola, o que torna mais imperioso o exercício deste direito/dever.

Forças influentes da esquerda e extrema esquerda tentam impor uma mentalidade anti-cristã e ateia. Fazer uma releitura da história, levando os alunos a terem uma visão distorcida dos acontecimentos e do comportamento de certas pessoas. Fala-se-lhes de erros cometidos por pessoas da extrema direita e esquecem-se erros tão ou mais graves cometidos por pessoas da extrema esquerda. Segundo as conveniências, exageram-se os defeitos de certas pessoas e minimizam-se-lhes as virtudes.

Não entendo porque se recomenda a leitura de certos autores, um dos quais não pode ser apontado à gente nova como modelo de como se deve redigir.

Só razões ideológicas justificam a preferência por certos autores e por certos textos.

6. A estatização do ensino exige que, em questões ideológicas, seja tanto quanto possível independente. Ligá-lo a uma única corrente de pensamento é um erro.

E esta de, em fidelidade à propalada treta da igualdade de género, estabelecer novas regras para as casas de banho nas escolas?!

Posso estar equivocado mas parece-me termos um ensino não ao serviço da comunidade mas de determinada ideologia; termos um ensino que procura formatar pessoas e não ajudá-las a serem verdadeiramente livres e a procurarem viver em liberdade.

Queremos uma escola que forme pessoas livres e responsáveis ou que produza autómatos e papagaios?



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