Espaço do Diário do Minho

A inevitabilidade
9 Set 2019
Paulo Fafe

O que é inevitável neste mês? É falar ou escrever sobre política. Para mim escrevo sobre cenários políticos que não sobre programas partidários. E porquê? Porque tenho a inevitável certeza de que esses programas não passam de promessas e, portanto, sobre o que há muito se promete e não cumpre já fez jurisprudência em meu juízo de apreço. Não vale a pena comprar a fruta podre. Agora o que me apetece escrever é sobre a hipotética ingovernabilidade do país; se a esquerda não fizer geringonça e a direita não tiver maioria parlamentar, o país fica ingovernável. Isto pode acontecer se a dispersão de votos nos partidos de menor expressão for muita, inviabilizara a formação de um governo estável. Governo de recurso equaciona desconfiança económica. Ninguém investe em governos provisórios porque a insegurança de leis e oscilações legislativas pressupostas afastam os mercados. Mas nada nem ninguém pode obstar que esses pequenos partidos concorram e, por poucos eleitores que tenham, são sempre e em qualquer caso, fugas de água que acabam por tirar força ao caudal. Isto é inevitável que assim seja porque ao direito constitucional de concorrerem como os demais, nada se opõe , embora o interesse nacional se lhe devesse opor. Mas uma coisa é o que desejamos, outra coisa é a realidade. E a realidade é que temos mais de uma vintena de partidos na “grelha de partida” para o parlamento e consequentemente para primeiro-ministro. Não se vota para primeiro-ministro, mas a verdade é que ele sai do partido ou coligações mais votados: “tanto vale dar na cabeça como na cabeça lhe dar”. A aposta de todos os partidos vai ser na ecologia. Querem repartir a preocupação com o PAN que vai ver-se desapossado da sua bandeira. A desflorestação da Amazónia e as queimadas que por lá se fazem com objetivos de rentabilizar a pecuária ou mesmo algum cultivo, serve de doutrina de fundo para todos os partidos serem ecologistas: os novos convertidos. Até aqui, só o PAN defendia a Terra e os Animais que nela habitam, agora todos foram acometidos pela febre da pegada ecológica; em labaredas de debutantes todos querem ser bombeiros do planeta; bendita a fome que trouxe tanta fartura! É bom que assim seja mas é mau que só agora seja assim. O planeta está ameaçado pela ambição e cobiça de muitos; sempre assim esteve, caso contrário não teríamos chegado ao ponto de regresso improvável, ou quase. A economia, o desenvolvimento sustentado, as finanças, a educação, o sistema de saúde, a segurança, os salários, os aposentados, serão a velha sinfonia da orquestra eleitoral É inevitável que todos os partidos falem destes assuntos. Julgo que não basta discutir estas questões, é preciso projetar o pão do futuro. Quem ganha as eleições? Em primeiro lugar, ganha a gestão da coisa pública; diz a ciência política que um bom ciclo económico determina um bom resultado eleitoral, principalmente se os bons resultados se repercutirem na carteira de cada um; em segundo ganha quem implante o pleno emprego; penso que aqui se jogará a cartada mais forte destas eleições, porque a sociedade entende que sem trabalho efetivo não há condições de haver uma família com filhos. E sem filhos portugueses, Portugal será um país de estrangeiros. Isto é inevitável.



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