Espaço do Diário do Minho

É difícil de engolir
6 Set 2019
Artur Soares

Os portugueses sabem como nasceu este Governo socialista de António Costa. Este senhor, que não acatou os resultados das eleições legislativas de 2015, sem pejo algum e, com base numa maioria Parlamentar entre Leninistas e Trotskistas, atira com os resultados eleitorais para o pote da ambição, criando – não democraticamente – “o Governo da Geringonça”. Isto é sobejamente conhecido!

A publicidade política de António Costa em prol do seu Governo, não tem na história da democracia em Portugal, nada que se lhe compare. Governaram com os saques do anterior Governo e da imposição da Troyca e anunciaram o virar da página da crise e repondo saques, mas falharam. Os pensionistas do Estado continuam a sangrar. Os investimentos não existem e a mão-de-obra para a execução dos serviços públicos ossificou e só os políticos têm gente que chegue para os bajularem e se estorvarem uns aos outros nos corredores da lentidão, e dos altos vencimentos, porque “especialistas”.

Publicidade bem organizada, diga-se! Optimista, com números e sorrisos através das televisões, onde se soma o que não que se fez, mas sobretudo o muito que se comprometem fazer. Até já existem estudos, projectos, datas etc. porque o Governo da Geringonça não pára e os portugueses, embora se alimentem de chicharros e jaquinzinhos congelados, com esta geringonçada (até) arrotam a lagosta, confirmam eles.

E assim se pavonearam todos, todos foram grandes dirigentes partidários, onde a publicidade foi substituída por demagogia, por populismo e, porque não, por tanta mentira semeada junto daqueles que não os entende ou que distraídos vivem.

Assim, a poucos dias do términus da Geringonça, onde os Partidos que a suportavam já não contam, António Costa, do alto do seu pedestal, arrancando das entranhas a democracia que com ele nasceu, não tem dúvidas da hipocrisia dos bloquistas, da incoerência que testemunha Catarina Martins e de mais defeitos, confirmados por Carlos César: “os bloquistas querem e reivindicam o impossível, parecendo querer levar o país novamente à banca rota”, com tantas exigências.

Ora, António Costa não está para pactuar com incoerências/exigências bloquistas! Distribuir-lhes-ão uns confeitos, uns caramelos e para provar a sua límpida democracia, avisou já, que quererá “trabalhar com todos”. São incoerentes, exigentes os bloquistas, com “um programa político que serve para voltarmos à banca rota”, mas, quererão “trabalhar com todos”! Perdão, verticalidade e sinceridade, eis o que oferece Costa aos seus adversários bloquistas.

Costa, sente-se o centro ou o coração desta esquerda, deste Governo que inventou. Democracia não lhe falta e atente-se como democraticamente tem resolvido os graves acontecimentos nacionais, desde que é Governo: fogos, mortos nos fogos, crimes financeiros à custa dos fogos, abalroamento de estradas, greves assassinas dos professores e do pessoal ligados ao Serviço Nacional de Saúde e, repare-se: até a greve dos camionistas resolveu!

Esvaziou a greve, tirou-lhe sentido, colocou forças militares e militarizadas a colocar o respectivo combustível nos popós do povo e, para mostrar aos grevistas que em primeiro lugar respeita-se o Governo – embora não eleito – até vai propor proibir a existência do sindicato dos motoristas, porque gente sem rei nem roque. Logo, não têm o direito de existir. E esta esquerda sem defeitos, sem mácula, virtuosa de cima a baixo – exige que os grevistas tenham juízo, mesmo que a greve seja permitida na Constituição da República – razão por que não os aceitou: por indisciplina laboral. Eis os defensores dos trabalhadores.

Os três Partidos da geringonça, sindicalmente, calaram-se ou talvez muito pouco disseram. Os Sindicatos profissionais, os senhores da movimentação de massas sindicais – socialistas e comunistas – também defensores dos trabalhadores, pareceram cãezinhos medrosos: meteram o rabo entre pernas e foram para casa ver os grevistas na televisão e os militares a substituí-los na distribuição do ouro negro.

Os partidos da direita, interiormente contentes por tanto impacto previsto à normal vida dos portugueses, mas responsabilidade atirada somente à Geringonça, nem diziam sim, nem não, nem sorriam nem choravam, apáticos e fugidios do problema a nível nacional, pareciam dizer: nós gostaríamos de ajudar, de opinar, de fazer algo pelo povo, mas, somos uns partidos e uns político sem combustível. Logo, o motor de arranque não arranca.

Assim sendo, perante esta política difícil de engolir, o povo português tem de ser grande nas eleições de Outubro. Não temos políticos que saibam governar com “maiorias absolutas” – os cidadãos são ostracizados; não podemos conviver com mentiras, publicidade política, a engorda de carteiras; de nomeações de famílias dos políticos para cargos de Governo; não podemos ser o povo com mais impostos ao pescoço; não se pode aceitar a ruína dos transportes públicos e não devemos aceitar o Geringoncismo, porque desrespeitadores dos resultados eleitorais nas urnas de voto.

(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)



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