Espaço do Diário do Minho

Dez regras de vida segundo e seguindo S. Bento: a humildade III – a)
5 Set 2019
Carlos Aguiar Gomes

Um dos capítulos mais longos da Regra de S. Bento é dedicado à humildade que deve caracterizar a vida de cada monge. E não foi ao acaso que o Santo Patriarca se ocupou tanto e tão bem na regra de vida que deixou aos seus “filhos espirituais” sobre esta virtude tão pouco vivida.

Transcrevo uma curta passagem sobre o tema, no capítulo VII:

«… se queremos atingir o cume da suprema humildade e chegar rapidamente àquela celeste altura à qual se sobe pela humildade da vida presente, necessário se torna, pela ascensão das nossas obras, erguer aquela escada que em sonhos apareceu a Jacob, ( escada essa) pela qual se viam anjos a descer e subir. Sem dúvida que outra coisa não significa para nós aquele subir e descer, senão que pela soberba descemos e pela humildade subimos» … «Os lados desta escada são, podemos dizer, o nosso corpo e alma.».

Vemos que S. Bento, seguindo a doutrina de sempre da Igreja, e que não muda, opõe a humildade à soberba, pecado capital (cf. Catecismo da Igreja Católica, n.º 1866) e é capital porque é gerador doutros pecados e de outros vícios( id.). Ora, como pode uma comunidade, monástica ou não, viver com membros que não vivem com humildade? Que não querem aprender em contínuo que a humildade é a virtude do que é humilde, do que é capaz de reconhecer os seus erros e defeitos e, como se disse acima, se opõe ao modo de ser dos que se assumem altivos, com orgulho, arrogância e se julga superiores a tudo e a todos.

Citando a Constituição Conciliar 2 Gaudium et Spes 36,2”, o Catecismo da Igreja Católica refere ( n.º 159):

«… aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que eles sejam o que são, mesmo que não tenham consciência disso».

Voltando à Regra de S. Bento e ao VII capítulo, o que, como disse, trata da Humildade. O nosso glorioso Bento, indica-nos os degraus para subirmos a escada que Jacob viu em sonho e cujos degraus elenca assim:

1.º – «O primeiro degrau da humildade é ter sempre diante dos olhos o temor de Deus, fugindo em absoluto do esquecimento e lembrando-se sempre de tudo o que Deus preceituou…»

2.º – « O segundo degrau da humildade consiste em não amar a vontade própria nem se comprazer na satisfação dos seus desejos, mas em imitar em seus actos aquela palavra do Senhor: “ Não vim fazer a minha vontade, mas a d`Aquele que me enviou».

3.º – «…submeter-se, por amor de Deus, ao superior, com toda a obediência, à imitação do Senhor, de quem diz o Apóstolo: “fez-se obediente até à morte”.

(Continua)



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