Espaço do Diário do Minho

Os bons (e menos bons) líderes da Direita mundial
3 Set 2019
Eduardo Tomás Alves

  1. O Centro-Direita e a verdadeira Direita). As pessoas “menos tenras de idade” dos países que já passaram por “ditaduras de Direita” (seja na Europa ou fora dela) não terão grande dificuldade em distinguir um Regime do outro. Independentemente das confusões que a propaganda dita “democrática” ou “anti-fascista” possa querer introduzir no assunto. Se essas pessoas (seguramente todas com mais de 55 anos) forem portuguesas, espanholas, argentinas, chilenas, brasileiras, paraguaias, bolivianas, sul-africanas e rodesianas (brancas), gregas, iraquianas (recordo o período de Saddam Husseyn), sírias, iranianas (tanto com o Xá, como com o actual regime religioso), todas essas pessoas saberão distinguir claramente as experiências de “direita em Democracia” das de Direita em regime, digamos, de “Ditadura Nacional”, ou de Corporativismo, ou de Regime Militar, ou de qualquer outro género de Regime autoritário de Direita. O que caracteriza a verdadeira Direita é o ênfase na defesa dos superiores interesses do colectivo nacional. E a intransigência dessa defesa em relação a concessões ideológicas ou práticas que diminuam o peso desse interesse nacional.

  2. Do ponto de vista económico, o Salazarismo e o Franquismo estão à esquerda do Liberalismo Democrático). Já defendemos aqui no DM, esta ideia (num trabalho com data de 5-2-2012). Assim, parece bem claro que, dum ponto de vista estritamente económico-financeiro, o Regime Salazarista era, digamos, um Regime “de centro”. À sua esquerda estavam os países comunistas ou socialistas. Mas à sua “direita lógica” ficam aqueles regimes, normalmente democráticos (mas nem sempre), em que (ao contrário do Salazarismo e Franquismo), o Estado pouco intervem na Economia e nas Finanças. Deixando, por opção ideológica-política bem assumida, esse papel ao chamado “Mercado”. O qual, no fundo, é o vasto campo de batalha onde as grandes empresas tudo regulam, tendo engolido (ou apenas controlando) as médias empresas; as quais engolem (ou apenas controlam) as pequenas. O indisciplinado mercado do trabalho (e do desemprego…) e dos salários tenta funcionar no meio deste “mar alteroso”; sobretudo pela acção (com frequência, anárquica) dos vários sindicatos.

  3. A verdadeira Direita assenta na ideia de “Nação”).“Nação” pode ser definido de várias maneiras. Porém, a mais lógica, tradicional e consensual é a que se aplica à maioria dos Estados do chamado “velho mundo” (Europa, Ásia e África). Aí, desde a queda do interminável e insuportável feudalismo medieval (em que poucas verdadeiras nações funcionavam como tal, na Europa), formaram-se muitos Estados com base na cultura, na língua e sobretudo na ideia (hoje tão erradamente desacreditada) dos “laços de sangue” que cimentam a unidade nacional. Isto é, nos laços comuns de parentesco que existem de forma imemorial entre a grande maioria dos “nacionais”; e que são a verdadeira força destes, o seu crivo, sobretudo nas horas difíceis, nas guerras. É pois infundado (e ridículo) um norte-americano, um brasileiro, um argentino, etc., falarem da sua “nação”. Para eles, isso não existe, filhos que são da imigração (e cada vez mais, da mistura) de várias nações em sentido verdadeiro. Pelo contrário, no “velho mundo” já faz sentido falar-se de nações; como a indiana, chinesa, italiana, alemã, saxo-britânica, francesa, espanhola, russa, checa, polaca, sueca, grega, mongol, vietnamita, portuguesa, tailandesa, turca, marroquina, tunisina, árabe, iraniana, iraquiana, arménia, georgiana, etc.,etc..

  4. Trump, Bolsonaro e Farrage, líderes de Direita que precisam “de se aperfeiçoar”…). O germano-escocês Donald J. Trump é decerto um empresário com grande ambição, visão, intuição e combatividade. Tem boas inclinações, especialmente a de salvaguardar o mais possível a composição étnica (e “sub-étnica”) do povo norte-americano (sobretudo nas suas componentes europeias, afro-americanas e “ameríndia”). Contrariando a silenciosa invasão maciça do seu país por imigrantes legais ou ilegais mexicanos e afins. A qual totaliza 60 milhões de hispano-falantes de etnia mestiça, meramente desde os anos 60. Para tal, é óbvio que tem de controlar a fronteira, com ou sem muros; nem que não fosse para apenas diminuir a gigantesca entrada de drogas. Na protecção do comércio e indústrias do seu país, o seu esforço anti-Globalização (e anti-China…) é também muito defensável. Porém, a sua inclinação para o ultra-liberalismo económico interno; e o seu óbvio e lamentável seguidismo dos interesses israelitas (e até, sauditas) no que respeita ao Médio Oriente, são bastante negativos. Pelo contrário, a sua aproximação inicial (tão denegrida…) à Rússia de Pútine, é garantia de paz mundial. Já o líder brasileiro J. Bolsonaro tem os seus altos e baixos. Altos, quando combate as “máfias” locais da droga ou impõe militarmente a ordem nas cidades e favelas; ou quando facilita o porte de arma por cidadãos cumpridores; (muito) baixos, quando tolera a destruição da floresta amazónica por sujos e incultos interesses ditos “agraristas” e de criação de gado. O pseudo-direitista Nigel Farrage é um vencedor do género “toca e foge”, desertando do Nacionalismo quando ele tanto esperava de si; e regressando agora, para voltar a complicar o cenário. Tal como com 80% dos políticos britânicos, os seus zigue-zagues são “cozinhados” nos subterrâneos maçónicos da triste política daquela pobre e nobre ilha…

  5. Bem, têm andado Orbán, Marine, Salvini, Abascal). No governo ou na oposição estes têm sido os importantes líderes de Direita que se têm mantido fiéis às suas Pátrias. Mas também não serão de verdadeira Direita, Shi Jin Ping, ou Pútine, ou Hafez al Assad, ou Evo Morales? Ou até, Maduro?



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