Espaço do Diário do Minho

Sei de um Rio…
2 Set 2019
Narciso Mendes

Não é só o talentoso fadistaCamanéque sabe de umRio,em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas são as luzes da cidade e onde, segundo o poema, a própria mentira tem o sabor da verdade. Pois trata-se de um curso de água imaginário que, por ter nascido sob o signo da sede de romance, deixa no ar uma questão: até quando? Uma resposta dada, de viva voz, pelo próprio intérprete e ao som dos instrumentos tocados por virtuosos músicos que o acompanham. Um caudal afetivo que vai deslizando por entre fragasde palavras, mas que é suposto chegar aomardo seu destino.

Também, eu, sei de um Rio que tendo nascido dentro da política do Partido Social Democrata (PSD) viu debruçadas sobre si, como que em constelação, os eleitores da cidade Invicta – Capital do Norte do país – a quem confiaram o seu voto em três mandatos nas eleições autárquicas. Um Rio, de primeiro nome Rui, que demonstrou à frente dos destinos da Câmara Municipal do Porto alguma competência e, sobretudo, seriedade, coisa que vai sendo cada vez mais rara, nos dias de hoje, na esfera política. E de quem se esperava agora, como líder do PSD, francamente mais. É que Rui Rio mais parece andar esquecido de que se deveria posicionar como uma figura de alta estaleca a fim de se mostrar superior a António Costa, doPS, se quiser vir a ser – um dia – Primeiro-ministro de Portugal.

Sei que R. Rio anda acossado pela turbulência interna no PSD, sem que tenha tido a capacidade em unir o partido, pois as vozes que se levantam contra ele vão sendo cada vez mais, não se vislumbrando uma paz interna produzida pelo seu esforço. E assim sendo, como é que osocial-democratase, amanhã, for Governo conseguirá unir os seus ministros à volta de causas que vai propondo – ainda que aconta-gotas– ou das soluções que as abone? Veja-se o seu silêncio no caso da greve dos motoristas dos transportes de matérias perigosas, ou na das Conservatórias do Registo Civil em que filas intermináveis de pessoas andaram, de madrugada, a mendigar o cartão de cidadão sem nada ter dito.

Pois é, sei de um Rio que em matéria de oposição – a escassos dias das legislativas – ataca o PS aos bochechos. Mais parecendo ter tomadochá decamomila que o vai deixando quase indiferente aos socialistas e à esquerda a eles associada. Os quais, até conseguiram aprovar a Lei de Bases da Saúde beneficiando da falta das expectáveis críticas do PSD, alvo de lamentos por parte do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, a quando da sua promulgação, por não ter sido suficientemente colaborante na mesma. Deixando que, uma vez mais, a Geringonçafuncionasse. Mas, afinal, qual será a estratégia deste Rio que mais parece ninguém conhecer?

Só sei que R. Rio anda mais preocupado em tentar apagar a política dos cortes – da austeridade – do seu homólogo anterior, Passos Coelho, – em tempos detroika– do que fazer uma campanha de sustentável verdade que o leve ao poder. Optando por tentar fazer um brilharete de “murros na mesa”para ver se acorda as matérias adormecidas prometendo, também, a melhora de rendimentos às pessoas e diminuindo os impostos. Pelo que garante reduzir em 3.700 milhões de euros a carga fiscal e investir em igual montante. Acenando, ainda, com outros números como o de colocar a economia a crescer 2,7%, em 2023, contando que oPIBsalte dos 0,4% para 1,6%, estimado pelo Conselho de Finanças Públicas para 2019.

Enfim, sei de um Rio – o doPSD– que já prometeu que não haverá défice, mas superavitna ordem dos 0,2%, se for poder. E que a dívida pública chegará aos 98,6% em relação aoPIB, sob a sua governação. Mas tudo muito vago quanto à forma de lá chegar. Ou trará na manga, como trunfo, o congelamento de salários dos funcionários públicos, das prestações sociais e dos subsídios para o concretizar? Uma espécie de Rio de promessasque não sabemos se conseguirá desaguá-las na “foz” do Parlamento, em cujas“espreguiçadeiras”descansam os políticos eleitos pelo povo.



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