Espaço do Diário do Minho

Medo
2 Set 2019
Paulo Fafe

As eleições legislativas de seis de Outubro estão marcadas pelo medo. O PS tem medo de não obter uma vitória expressiva; o PCP morre de medo por ser subalternizado pelo BE; o BE morre de medo de ser dispensável na próxima governação; o PSD treme de frio ao prever o banho que pode levar e o CDS assusta-se com a perspetiva de se transformar na quinta força política de Portugal. O aliança sabe que corre o risco de não ter expressão parlamentar, embora se convença a si mesmo que ainda está a começar. Estes medos são legítimos ou não têm qualquer fundamentação? Estes medos têm razão de ser. O motivo está no aparecimento de novos partidos que irão tirar eleitorado aos já existentes no xadrez político nacional. Pode acontecer, como diz António Costa, de ficarmos ingovernáveis devido a esta dispersão de votos. Eu acho que não só pode, como antevejo uma situação muito provável disso acontecer. Então que fazer perante uma situação destas? Os portugueses devem votar em função de estado ou em função partidária? Se escolherem votar no superior interesse dum governo estável, devem pensar qual ou quais os partidos com potencialidades de governança; suponho que há descontentes com todo o espectro político nacional, mas pensem que não é com uma grande fragmentação eleitoral que obteremos melhor educação, segurança mais eficiente ou saúde mais prestável. Isto resulta de um governo de legislatura. Vejamos os casos de Espanha e até mesmo de Itália para percebermos que o descontentamento de um momento não se satisfaz com o contentamento duma mudança. Há quem se compraze com o estrondo da caída dos gigantes; são assim os anões. Em primeiro lugar eu coloco o bem-estar do meu país, porque egoisticamente gosto dele e nele quero encontrar a paz de espírito necessária para viver o quotidiano sem alvoroço. E encontro nos atuais partidos políticos aquele ou aqueles que podem formar um governo de sossego. Se quero um partido que não seja, nem muito de esquerda, nem muito da direita, basta escolher um de dois: PS ou PSD. Se quero um partido mais à direita destes dois social-democratas, tenho o CDS. Se quero um partido marxista tenho o PCP, se desejo optar por um partido trotskista tenho o BE. Para os ecologistas temos o PAN. Não falta por onde escolher. Agora não pode haver um partido para cada cidadão que é o que estamos a verificar com o aparecimentos de partidos novo; fazem lembrar condomínios fechados. Julgo que os partidos que ao fim de duas legislaturas não tenham elegido pelo menos um deputado deveriam ser transformados em Movimentos Cívicos; aí teriam todo o palco para discutir as suas ideias, colocar as suas opiniões, prestando assim um contributo no campo do debate. Têm todo o direito de serem partidos, é verdade, mas se os move os superiores interesses do país deveriam abdicar de serem problema. O medo dos atuais partidos é recíproco entre si mas é também o medo da pulverização dos resultados. Estamos a sair dum tempo em que a democracia era uma árvore em crescimento. Como ela criou rebentos que lhe são prejudiciais; assim cada um saiba fazer a boa poda.



Mais de Paulo Fafe

Paulo Fafe - 21 Out 2019

O jornalismo que investiga abusos de poder, compadrio, falsificações, enriquecimentos injustificados, crimes económicos e outros de igual jaez, traz na sua génese a marca do indesejável para os prevaricadores e a marca do desejável para quem quer saber a verdade. O jornalismo, é apenas tolerado, mesmo que seja apenas noticioso, mas quando “ousa” contar a […]

Paulo Fafe - 14 Out 2019

Politicamente quanto valem as greves? O resultado das últimas eleições levaram-me a concluir que as greves pouco ou nada afetaram o governo socialista. Houve greve dos professores, dos enfermeiros, dos camionistas de matérias perigosas, da magistratura, de sei lá que mais, e pelos vistos em nada influenciaram a votação no partido socialista. A sua vitória […]

Paulo Fafe - 7 Out 2019

Como se costuma dizer, as urnas falaram; os portugueses escolheram os responsáveis pela governação durante uma legislatura se o governo que se vai fazer aguentar os quatro anos para que foi eleito. A respeito de responsabilidade, permitam-me dizer o meu pensamento sobre isso: oiço muitas vezes dizer que determinado indivíduo tem de ser pago porque […]


Scroll Up