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Setor da vinha e do vinho é importante para a economia de Ponte de Lima.

Luísa Teresa Ribeiro
30 Ago 2019

Ponte de Lima aposta na vinha e no vinho como fatores de desenvolvimento local, com destaque para a casta Loureiro. O concelho afirma-se cada vez mais no enoturismo, prometendo proporcionar experiências inesquecíveis aos visitantes.

Fazendo jus à hospitalidade dos minhotos, a família Amorim esmerou-se para receber os convidados. Junto aos vinhedos da Casa da Cuca, estão garrafas do vinho produzido naquela propriedade e uma mesa repleta de iguarias tradicionais, recriando a merenda das vindimas numa casa de lavradores.

O grupo de convivas, recebido ao som de uma concertina, é composto pelos participantes no Roteiro dos Clássicos às Adegas do Loureiro de Ponte de Lima, integrado no programa da segunda edição do certame “Loureiro de Ponte de Lima ConVida”.

Este evento traduz a estratégia da Câmara Municipal de promoção da vinha e do vinho e do enoturismo como fatores de desenvolvimento local, a partir do “cartão de visitas” do concelho, que é a casta Loureiro.

«Pretendemos apostar cada vez mais nesta casta, com os vinhos de excelente qualidade dos nossos produtores-engarrafadores e com produtos diferenciadores», afirma ao Diário do Minho o presidente da autarquia, Victor Mendes.

A iniciativa contemplou, por isso, a feira, na Expolima, em que quase duas dezenas de produtores apresentaram mais de 80 rótulos a milhares de pessoas, mas também um atrativo programa de animação, que incluiu a eleição da Rainha das Vindimas e o Roteiro dos Clássicos às Adegas.

Este périplo pelos produtores com os carros dos associados do Clube Limiano de Automóveis Clássicos pretendeu, precisamente, dar a conhecer os projetos que estão a ser desenvolvidos no terreno, através de visitas às adegas, num programa com provas comentadas.

Clássicos em roteiro pelas adegas

O Clube Limiano de Automóveis Clássicos associou-se ao programa destinado a promover o vinho Loureiro, com a realização do roteiro pelas adegas e de um desfile pelas ruas do centro histórico de Ponte de Lima.

Em declarações ao Diário do Minho, Fernando Paulino Leite adianta que esta é uma das muitas iniciativas que o clube leva a cabo, estando já previsto um fado solidário, no mês de novembro, no Espaço Vita, em Braga, a favor do Centro Cultural e Social de Santo Adrião.

O clube conta com 550 associados, sobretudo da região Norte do país, designadamente de localidades como Braga, Felgueiras, Guimarães, Porto, Vila Nova de Famalicão e Viana do Castelo.

Este responsável diz que, com o convívio, os membros do clube «deixam de ser associados e passam a ser amigos».

O passeio levou os participantes até à freguesia de Moreira do Lima, onde se encontra a Casa da Cuca, um exemplo do trabalho de excelência que está a ser feito no sentido da valorização da vinha e do vinho no concelho de Ponte de Lima.

Depois de um longo período a produzir para a adega cooperativa, há seis anos a família de Carlos Amorim lançou-se no mercado com marca própria.

Num projeto que conta com o trabalho dos filhos do proprietário, José Carlos e Sandra Amorim, a Casa da Cuca abraçou a tarefa de recuperar o património genético das castas que antigamente davam fama ao vinho branco de Moreira do Lima, a que Carlos Amorim chama «o ouro» daquela localidade.

«A freguesia tem um rico património de castas autóctones, que estava praticamente desaparecido», explica José Carlos Amorim ao Diário do Minho, no âmbito de uma visita para a imprensa promovida pelo Município de Ponte de Lima, Associação Empresarial e Confraria Gastronómica do Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima.

A primeira fase do projeto incluiu a renovação da vinha e a criação de duas unidades de alojamento, que estão em pleno funcionamento. Atualmente com 4,5 hectares, a quinta produz 15 mil garrafas de Loureiro, vendidas com a marca “Da Cuquinha”, e 2500 de Vinhão, comercializadas com a marca “Carcaveira Velha”.

José Carlos Amorim adianta que o investimento vai continuar por mais quatro ou cinco anos, permitindo a inauguração de novas instalações para alojamento e a criação de melhores condições para que os turistas possam apreciar a vida da quinta. Um dos objetivos passa pela criação de um lago natural, onde os visitantes vão poder desfrutar dos vinhos da Casa da Cuca num espaço aprazível. A quinta pretende ainda produzir compotas para servir aos seus hóspedes. «O mundo dos vinhos é amor e paixão», resume o produtor.

Vinhos conquistam mercados internacionais

A dinâmica empresarial no setor dos vinhos permite a existência de projetos muito diversificados em Ponte de Lima, que se afirmam pela sua personalidade própria, como se pode comprovar na Adega Aphros, em Refoios do Lima.

Liderada por Vasco Croft, a Aphros Wine começou na Quinta Casal do Paço, em Padreiro S. Salvador, no concelho de Arcos de Valdevez. O arquiteto conta que, a certa altura, percebeu que os seis hectares que possuía não eram suficientes para estar presente nos mercados internacionais, pelo comprou a Quinta da Casa Nova, em Refoios do Lima, local onde sempre se produziu Loureiro.

A vinha teve, no entanto, de ser «plantada de raiz», sendo composta atualmente por 5 hectares de Loureiro, 1,5 hectares de Vinhão e 1,5 hectares de Alvarelhão.

Este responsável destaca que o projeto se distingue pelo método biodinâmico de agricultura e produção, bem como por ser uma «vinícola bastante experimental».

Tal como a marca, Aphros, a espuma de onde nasceu a deusa Afrodite, também os nomes dos vinhos remetem para a mitologia grega: Daphne e Phaunus.

A empresa possui duas adegas: uma artesanal, onde se seguem os métodos tradicionais e nem sequer se usa electricidade, e outra moderna, com a assinatura de Carvalho Araújo, onde se usa tecnologia.

Com uma produção de 100 mil garrafas, estes vinhos estão em 20 mercados diferentes, com destaque para os Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, Alemanha, Suécia e Portugal, adianta Vasco Croft ao Diário do Minho.

Com a vertente de alojamento em Arcos de Valdevez, o objetivo passa agora pela abertura, em Refoios do Lima, de uma taberna onde os visitantes possam conhecer os métodos da quinta, os seus vinhos e petiscos.

Um concelho onde há sempre que fazer

O presidente da Câmara Municipal afirma que o concelho se destaca pela promoção de um vasto programa de iniciativas, que faz com os visitantes encontrem múltiplos motivos para procurar Ponte de Lima em qualquer época do ano.

Depois da animação de verão, Ponte de Lima vive as Feiras Novas, entre 4 e 9 de setembro, sendo este período o «expoente máximo» da manifestação da cultura limiana, no qual o concelho recebe centenas de milhares de pessoas.

«A seguir às Feiras Novas vamos retomar o projeto “Em época baixa, Ponte de Lima em alta”, que apresenta um conjunto de eventos que visa a valorização dos nos- sos recursos endógenos e a dinamização do nosso tecido empresarial, contribuindo para o desenvolvimento económico do concelho», refere Victor Mendes em declarações ao Diário do Minho.

O autarca destaca a preocupação em proporcionar as condições para que as pessoas criem o hábito de visitar a Ponte de Lima, mesmo quando não há grandes eventos a decorrer. «O concelho de Ponte de Lima vale por si, pelo seu património natural e construído, pela gastronomia e vinhos e pela hospitalidade das suas gentes», assegura o edil.

«Ponte de Lima é um dos concelhos mais visitados no país, seja por turistas nacionais ou estrangeiros. Isso é muito importante para a nossa restauração, comércio, hotelaria e outros setores de atividade. Há um conjunto de áreas da nossa atividade económica que são muito importantes e esta é determinante para o nosso desenvolvimento», declara.




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