Espaço do Diário do Minho

Mais por Braga
26 Ago 2019
Narciso Mendes

Não hajam dúvidas de que foi oportuna a candidatura bracarense à elevação do Bom Jesus do Monte a Património Mundial da UNESCO. Tendo-se constituído em verdadeiro êxito, graças ao esforço, dedicação e vontade de todos quantos pelejaram corajosamente nesse sentido, sem que alguma vez vacilassem ou duvidassem de o conseguirem. É assim que a cidade de Braga e o seu património vão ficando mais enriquecidos e conhecidos, não só cá dentro como fora do nosso país.

Iniciativa, cuja classificação só é preciso manter, proteger e melhorar nos aspetos de conservação, limpeza e asseio, não só da Basílica mas também de todo o espaço, bem como das capelas representativas da Via-Sacra da vida e morte de Cristo. Pois o monumento e o espaço natural falam por si, sem serem precisoschincharravelhosque atrapalhem a sua beleza; ou iniciativas que façam dos566 degrausdos seus escadórios uma espécie de “pista radical”,de teste à resistência humana; nem de prolongá-la com hipotéticos trilhos de corta-mato na sua sagrada mata. Esse não será, porventura, o melhor caminho, creio eu, para valorizar uma jóia que agora também é do mundo.

Pois bem, uma vez colocado o Bom Jesus na lista do Património da Humanidade está dado o mote para que a cidade se apresente, a seus pés, digna de tal nomeação. Isto é, apresentável para que todos quantos – de fora – passarem por Braga, para admirarem aquele galardoado ícone religioso e natural, não sintam defraudadas as suas expectativas. Levando uma boa imagem desta Cidade dos Arcebispos, condicente com a promoção que vai sendo feita, sobretudo lá fora, quer pelos responsáveis da pasta do Turismo bracarense, bem como pela própria UNESCO. Uma cidade que marque, indelevelmente, as suas vidas ao ponto de aconselharem a outros uma visita.

É que há muita coisa, nesta bimilenária Bracara Augusta, à espera de um forte empurrão, no bom sentido, para que tudo quanto é prometido fazer-se saia da escuridão e apareça concretizado à luz do dia. Ou seja, tudo aquilo que é lançado, diariamente, nas páginas dos jornais citadinos – para isto e para aquilo – se faça; que as coisas e loisas, adstritas à evolução citadina, prontas a darem brado no nosso burgo, saiam da pasmaceira. Pois tudo parece andar muito lento, direi mesmo que a passo do caracol, sobretudo desde a altura em que é anunciado e aquela em que se concretizam. Quando muito, realizado à pressa em ano de eleições autárquicas.

Temos uma cidade que segundo a Autarquia, através do Pelouro doUrbanismo,iria ter uma reabilitação urbana sobretudo no velho casario do seu Centro Histórico. Pois, então, é este o momento de um arranque vigoroso na recuperação dos imóveis degradados – que quase ninguém sabe de quem são – devolvendo-lhes o encanto de outrora. Isto, sem deixar de enaltecer o facto de terem retirado os calhaus e desníveisno topo norte do Campo da Vinha. Só é pena que tenham deixado aqueles doiszarapolhos, verdadeiros empecilhos, na rua dos Capelistas, bem como os solitários penedos encanadosem arcoda rua Justino Cruz, que deveriam ter o mesmo destino.

Depois, em termos de mobilidade, é o trânsito motorizado que paulatinamente vai afogando esta denominada cidade do Barroco. Não só em termos de poluição, como de entupimento das vias sem que se vislumbre a mais que urgente alternativa à chamada via rápida – o nó górdio da questão. O que, juntamente com as inexistentes (mas prometidas) passadeiras inteligentesfazem com que aumentem as vítimas que atravessam as ruas. Ou será uma boa política a de trazer imensa gente a Braga, sem que se lhe seja dada segurança e um razoável ar para respirar?

Seria grande a lista de tudo quanto se espera venha a ser feito no nosso Município, para o que se requer o mesmo dinamismo que presidiu à candidatura do Bom Jesus a Património da Humanidade. E menos prosápia, quanto a promessas. Pois esta cidade dos Arcebispos e dos brácaros, merece bem que os seus Autarcas «juntos» façam mais porBraga.



Mais de Narciso Mendes

Narciso Mendes - 21 Out 2019

Segundo reza a Constituição da República Portuguesa, o direito à liberdade sindical e à respetiva greve são direitos dos trabalhadores e, como tal, protegidos pela mesma em democracia. No entanto, uma greve só deveria ser desencadeada desde que esgotadas as negociações, entre as partes interessadas, sobre as matérias laborais em discussão É que uma vez […]

Narciso Mendes - 14 Out 2019

No programa Prós e Contras, da RTP1, na passada segunda-feira, Augusto Santos Silva, Ministro do Governo cessante do P.S., estava radiante. Finalmente, podia contar com mais cinco deputados para “malhar” na direita como tanto gosta E esta, pôs-se a jeito para levar com o malho perdendo duas importantes levas de deputados no Parlamento. Pois apesar […]

Narciso Mendes - 7 Out 2019

“Maria vai co‘as mais e se não canta baila”. É assim que o mundo rodopia. Ou seja, desde que nos cantem, mais ou menos afinado, estamos aptos à dança. Portanto, desde que seja coisa nova, há que alinhar. Senão, vejam-se certas novidades (?) que o homem criou e lançou no mercado sem sequer ter havido […]


Scroll Up