Espaço do Diário do Minho

Ponto por ponto
25 Ago 2019
Armindo Oliveira

Estamos a mês e meio das eleições legislativas e a pergunta coloca-se: a quem compete fazer a necessária e a imprescindível oposição ao governo da coligação negativa no poder? A quem é? Sem dúvida alguma, este papel cabe a Rui Rio como líder do PSD, partido que se viu despojado da cadeira do poder, depois de vencer as eleições legislativas de 2015 de forma surpreendente ao dr. Costa que apareceu em cena de peito feito e como o salvador da Pátria ferida pelas garras medonhas da Troika. Saiu derrotado e bem derrotado. Se tivesse tido algum pudor, tinha-se posto a léguas e ter-se-ia exilado da política até por respeito ao seu camarada António J. Seguro.

Contudo, a narrativa perversa contra quem nos ajudou a superar a humilhação continua a vingar em mentes sonâmbulas que, de olhos abertos, nada vêem e de nada se apercebem.

Ponto um – Depois de um bom período de frenesim económico à escala mundial, os sinais de desaceleração das economias já se fazem sentir um pouco por todo o lado, apesar da intervenção anómala do BCE, para contrariar esta tendência, com injecções sistemáticas de capital, apoiadas com taxas de juro negativas, facto verdadeiramente insólito e virtual na história económica dos países.

Quando a taxa de juros subir, e subirá com toda a certeza, será um gigantesco problema para Portugal que porá a nu todas as fragilidades de uma governação que andou a brincar com reposições e reversões. Andou também demasiado preocupado com “focus group”, com sondagens, com inquéritos manipulados e em controlar a comunicação social do que governar com prudência, com sabedoria e com larga visão.

Ponto dois – A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos está a provocar danos assinaláveis nas bolsas de valores e nas economias dos países mais débeis. Portugal, como não podia deixar de ser, está numa situação complicada, devido à enormíssima dívida que tem nos ombros, à despesa fixa que tem que suportar, à fraca produtividade e aos anémicos crescimentos económicos que se verificaram ano após ano, apesar da propaganda descarada dos governantes socialistas que vão pintando a “manta” com cores suaves das ilusões.

Mais uma vez, não soubemos aproveitar a oportunidade desta atmosfera auspiciosa que surgiu nas economias mundiais e enrolamo-nos em palermices de palavras feitas, de conceitos estratosféricos dos relativismos, de distribuição gratuita, ilusória e irresponsável das pequenas poupanças conseguidas com os juros baixos e em guerrinhas ideológicas perfeitamente escusadas e extemporâneas.

Ponto três – Será que Rui Rio representa, hoje, um tremendo erro de casting político num partido que tinha tudo para dar uma abada aos socialistas e aos extremistas de esquerda? A verdade é que Rui Rio apareceu a liderar o PSD fora de tempo e, ainda por cima, muito mal rodeado.

Rui Rio, parece-me que anda a brincar com a liderança que os militantes lhe destinaram. Se não tinha jeito para assumir responsabilidades como líder da oposição só tinha uma posição: não se ter candidatado para liderar o partido. A vaidade, a petulância e o seu egocentrismo, encenadas com umas tantas graçolas que vai debitando em momentos de aperto não são compatíveis e nem se encaixam na dimensão de um país, na história do PSD e nas necessidades de um povo.

Por outro lado, dá a ideia que Rui Rio não tem noção das realidades do país. Parece viver enclausurado numa redoma opaca e hermética não vendo, por isso, nada, não sentindo nada, não ouvindo nada, não se apercebendo de nada. Está longe, muito longe do foco das questões que envolvem um governo, de prosápia afiada e de arrogância praticamente ilimitada.

Ponto quatro – O país não está bem. É notório para quem está atento. Há problemas sérios no SNS; na Educação; nas florestas com os incêndios; na Defesa com o escândalo Tancos; na Justiça; a pobreza atinge números que envergonham; na paz social geringoncista, onde o maior surto de greves de há muitos anos faz mossa nas hostes das esquerdas que não conseguem controlar os “sindicatos inorgânicos” que vão surgindo no teatro laboral; no crescimento económico em relação aos países concorrenciais; no endividamento contínuo e acelerado das famílias; na dívida pública que vai somando mais uns zeros; na qualidade e celeridade dos serviços públicos prestados aos cidadãos.

Perante este cenário frágil, mas realista, Rui Rio foi de férias para uma região remota sem acesso a comunicações. Mas a culpa não cai só no líder, mas em todos os militantes de topo do partido que se habituaram a esperar pelas benesses e a não trabalhar pelo país, pelas pessoas e pela democracia. Só querem garantir o seu tacho. Para isso, alguns esperam, lambem botas e dizem amém ao líder com toda a desfaçatez do mundo.



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