Espaço do Diário do Minho

Varsóvia, Cracóvia e Auschwitz, experiência e Mossad

23 Ago 2019
Gonçalo S. de Mello Bandeira

Varsóvia, Capital da Polónia, centro da Europa, nação cristã e católica, dada a sua beleza, chegou a ser apelidada antes da 2ª Guerra Mundial de «Paris do Norte». A Polónia, pouco depois do fim «bloco de leste», passou a fazer parte da União Europeia. Mas, com inteligência, não aderiu ao Euro. Cidade mais populosa da Polónia com cerca de 1, 777 milhões de habitantes, remonta a sua fundação ao Séc. IX. Alvo de inúmeras guerras e disputas, ou não estivesse a Polónia entre os Impérios de Rússia e Prússia, entre outros como v.g. o Império Austro-Húngaro, ninguém fica indiferente na História da Humanidade à invasão da Alemanha nazi em 1/9/39, início à II Grande Guerra.

16 dias depois, a União Soviética invade o Norte da Polónia, dividindo este país. Os polacos desta altura estão esmagados. Do lado do invasor nazi, Varsóvia resistiu com extrema coragem até 27/9. 30% da população da Cidade que então era judia é colocada no Ghetto. Quando Hitler decide a «solução final para os judeus» em 19/4/43, «era preciso exterminar todo o Ghetto». Incrível a sua resistência durante quase 1 mês. Segue-se o massacre, tendo escapado apenas um punhado.

Em 1/8/44 assiste-se ao levantamento de Varsóvia, tentando os polacos a liberdade antes da chegada do «Exército Vermelho», pois Estaline era contra a independência. Foram 63 dias de lutafratricida, resultando na capitulação, transporte de derrotados para campos de extermínio nazis, 200 mil baixas civis, num total de 400 mil desaparecidos. Hitler, «o pintor», ordenou então arrasar Varsóvia incluindo monumentos e velha baixa da cidade, roubando as obras de arte.

Depois de jorrarem muitas lágrimas e sangue, em 17/1/45, o Exército Vermelhoe o que restava do Exército da Polónia derrotam os nazis e tomam Varsóvia. Entre as ruínas tinham sobrevivido alguns milagres, os «Robinsons» como v.g. os judeus Wladyslaw Szpilman, o qual deu origem aos filmes sobre o Pianistade 2002 de Roman Polanski.

Szpilmann, entre outros, foi salvo pelo professor alemão, então Capitão do Exército Nazi e herói da I Guerra Mundial, Wilhelm A. Hosenfeld, o qual, em segredo, era contra a política de extermínio de Hitler. Hosenfeld foi capturado pelos soviéticos e morreu num dos seus campos em 13/8/52, 57 anos. Em 2007, a título póstumo, Hosenfeld recebeu aCruz de Comandante da Polónia Renascida, assim como em 2009 foi reconhecido no memorial do Holocausto em Israel como Justo entre as Nações.

Cracóvia, que tinha sido capital da Polónia em outros Séc.s, de modo oficial até 1795, mantém-se hoje uma pérola arquitectónica no essencial dado o facto de não ter sido destruída como Varsóvia. A cerca de 50km nasceria João Paulo II. Há muitos anos que queria ir a Auschwitz, mas não fui de autocarro embora demorasse metade do tempo.

Fui de comboio desde Cracóvia, e vim de autocarro dado não haver comboio de retorno em homenagem às vítimas.

Quis ver a paisagem que milhões não viram para partilhar espiritualmente a sua dor nesta peregrinação de lágrimas. Auschwitz tinha 3 campos principais e 45 satélites. Os principais estão conservados. O respeito profundo deve ser a postura do peregrino e não o estilo turístico. Viagem que não é aconselhável para pessoas com tendência depressiva.

Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram torturadas e mortas nestes campos, incluindo «judeus, polacos, ciganos, soviéticos, testemunhas de Jeová», entre Outros que eram contra Hitler. A recepção era cínica e tinha, e tem ainda, por título «Arbeit macht frei», acompanhada por uma orquestra de música clássica, onde a taxa de suicídios era muito elevada.

A sensação é que toda a História da Humanidade vive nestes campos. Não é o único Holocausto, só a II Grande Guerra teve quase 60 milhões de vítimas (in)directas. Mas é o Holocausto que sintetiza o pior lado do ser humano. A Mossad, entre outras, devem continuar atentas ao extremismo neonazi, também em Portugal e não devem hesitar na legítima defesa, se necessário.



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