Fotografia: Nuno Cerqueira
Quase 30% dos alunos de Guimarães e Vizela ocupa tempo livre com redes sociais

Estudo refere que país sentem dificuldades em controlar a situação.

Redação/NC
18 Ago 2019

Um estudo do Serviço de Pediatria do Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães, concluiu que 28% dos adolescentes da cidade e Vizela ocupam a maior parte do tempo livre com as redes sociais.

Segundo o estudo, “As redes sociais e o adolescente”, realizado por Alícia Rebelo, Sofia Vasconcelos, Liliana Macedo e Miguel Salgado, a que a Lusa teve acesso, “97% prefere estar com os amigos pessoalmente”.

O estudo indica também que “os pais têm cada vez maior dificuldade em controlar o acesso dos filhos” às redes sociais e que “metade dos adolescentes já mentiu” sobre a idade para ter acesso a conteúdos ilimitado e entendem que os conteúdos publicados “não prejudicam” a sua privacidade.

O estudo pretendia “caracterizar a utilização de redes sociais entre os adolescentes, avaliar o conhecimento dos adolescentes sobre os riscos associados e identificar o tipo de monitorização parental”.

Para o trabalho foram feitos 3.518 questionários validados a alunos de idades entre os 9 e os 21 anos do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda (Guimarães), do Agrupamento de Escolas de Infias (Vizela) e da Escola Secundária Martins Sarmento (Guimarães), durante o ano letivo 2017/18.

Daqueles alunos, 98% iniciaram a utilização das redes sociais entre os 10 e os 12 anos e que “utilizam estas redes várias vezes por dia, durante 1-2 horas, predominantemente à noite”.

Quanto à monitorização parental, é constatado que “85% dos adolescentes teve autorização dos pais para criar contas de acesso” às redes sociais.

Quanto aos riscos inerentes ao uso daquelas plataformas destaca-se nas respostas que “65% já contactou com desconhecidos, que 61% já mentiu sobre a idade para ter acesso a conteúdo limitado e que os adolescentes entendem que os conteúdos publicados não prejudicam a sua privacidade e ainda que 39% considera que os conteúdos que publica não influenciarão o seu futuro”.

“Equanto pediatras cabe-nos não só tratar as doenças dos adolescentes, mas também prevenir e promover o seu bem-estar geral. O acesso às redes sociais é uma realidade. É um acesso fácil, temos a tecnologia desse acesso no bolso, através por exemplo do smartphone. Entendemos que as redes sociais não devem ser diabolizadas”, refere uma das autoras do estudo, Alícia Rebelo.

A clínica aponta também que as redes sociais “muitos benefícios e vantagens, como o desenvolvimento de capacidades técnicas ou a interação entre pares. Mas têm também obviamente os seus riscos”

Alicia Rebelo explica que foi ainda concluído que “os adolescentes utilizam as redes para interação com amigos, para conversar, e que 10% as utiliza para promover capacidades artísticas, como por exemplo partilhar fotos ou vídeos da sua autoria” e que a utilização das redes é uma “atividade que pode e deve ser aproveitada de forma construtiva e benéfica” para o adolescente”.

“O que temos que fazer é alertar os adolescentes, de uma forma aberta e honesta, dos riscos que correm nas redes. Se estiverem cientes disto, irão atuar de forma mais cautelosa, minimizando esses riscos e aproveitando os benefícios que estas redes sociais proporcionam”, finaliza o estudo.





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