Espaço do Diário do Minho

Por pouco que eu não sou… “um Bonifácio”
6 Ago 2019
Eduardo Tomás Alves

  1. Sobre a notável historiadora e crítica Mª de Fátima Bonifácio).Não conheço em detalhe a pessoa nem a obra desta senhora. Conheço-a das brilhantes participações televisivas (esporádicas), como convidada do programa do saudoso prof. Medina Carreira (onde também, entre tantos outros, pontificavam Henrique Neto, J. César das Neves ou o notável Tiago Caiado Guerreiro, que um dia, no mínimo, espero eu, será nosso ministro da Economia e Finanças). Recordo que ainda há poucos meses ela voltou a ter uma inspirada participação num daqueles programas de Fátima Campos Ferreira, nas noites de 2ª fª, na RTP. Recentemente porém, é criticada, a propósito dum artigo seu, no jornal Público, que eu não li (possivelmente como muitos dos que por tal, a criticaram…). A propósito de quotas étnicas na Universidade, deve-se ter exprimido mal e feito generalizações exageradas, sobre o papel dos ciganos e dos africanos, na actual e tão decadente organização politico-social portuguesa. Aparte este incidente, e há cerca de 3 anos atrás (pelos motivos que a seguir se vão perceber) eu tentei contactar a professora, no intuito de a congratular e de me apresentar como descendente de uma família que, num passado não muito distante, em Ovar, teve alguma relação social e de convívio com a família dela. Dado que ela em parte pertence aos Bonifácios, uma família da mesma Ovar. Não o consegui (apesar de ter falado por telefone com uma sobrinha); é que a profª se encontrava em Londres, numa visita de meses a uma filha, que lá residirá.

  2. São Bonifácio, o missionário “inglês” que catequisou parte da Alemanha).O nome de família português, espanhol, italiano, francês, inglês “Bonifácio” (e suas variantes) tem origem aparente no 1º nome (ou até na alcunha, que se traduz por “cara bonita”) com que o Papa Gregório II rebatizou (em 718) o padre saxão Wynfrid, natural do reino de Wessex (675?-754). Em sucessivas missões entre as tribos germânicas irmãs, no continente, Bonifácio contribuiu decisivamente para a conversão dos frísios, dos francos do leste (no Hesse), dos turíngios e dos bávaros, em cujo território fundou 4 bispados. Esteve em Roma por 2 vezes e foi consagrado bispo de Mainz (Mogúncia). E morreu martirizado pelos “holandeses” (os frísios), da 2ª vez que os visitou. Curiosamente, só havia sido ordenado padre aos 30 anos; e só partiu em missão pela 1ª vez aos 41, corria o ano de 716… Outro Bonifácio famoso foi José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838),um dos principais padrinhos maçónicos da independência brasileira.

  3. A nervosa abordagem do “caso Bonifácio” pelo programa “Governo Sombra”).Há semanas, esta pequena “ilha cultural” do nosso audiovisual, dedicou cerca de 30 minutos a comentar o menos inspirado texto da catedrática historiadora. Começou mal, fazendo “piadinhas” com o apelido da autora (associado ao “teatro dos bonifrates”…). E notou-se, o que é muito raro, um certo mal estar, um certo “pouco à vontade” dos 3 comentadores principais (e do moderador). Quer por terem de atacar pessoa de tanta categoria e saber. Quer porque o tema em que a historiadora se despistou, o preconceito racial (e outros) é cada vez (feliz ou infelizmente…) menos impopular, nesta época de crescimento generalizado dos partidos de Direita Radical. Desta feita, o menos feliz terá sido R. Araújo Pereira, que se mostrou demasiado preconceituoso acerca do fundamento intelectual das opiniões racistas ou nacionalistas-extremistas. Numa verdadeira Democracia (e nos tempos actuais…), falta àquele outrossim muito meritório painel, um 5º membro, confessadamente de Direita tradicionalista. Aquilo em que a Democracia é verdadeiramente nobre e superior, é no garantir a Liberdade de Expressão e Associação (a do Pensamento existe em todos os Regimes…). Uma norma como a tal 240 do Código Penal pode prestar-se a interpretações fluidas e de pura Censura; e nessa medida ser (abstractamente) inconstitucional. Mas , além disso, conceda-se: Carlos Vaz Marques é de Espinho (e a senhora é de Ovar); o notável minhoto Araújo Pereira passa a vida a lamentar que parece magrebino; o comendador Pedro Mexia, além de notório germano-céltico guardense, revela (pelos seus outros apelidos, Bigotte Chorão), ter ligações de família à nossa antiga “Coimbra da Ásia”; e o (como eu, aceso crítico de Sócrates) João Miguel Tavares, é um portalegrense tão liberal, tão liberal, que dá para suspeitar que provém da “liberal” Castelo de Vide, prófuga da Espanha dos Reis Católicos. Havia pois, demasiada “electricidade no ar”…

  4. Se o jovem engº José Bonifácio não tivesse morrido de uma operação em Londres…). Se tal não tivesse acontecido, provavelmente eu não existiria, não teria sido gerado. Eu explico. A minha mãe, de seu nome Isabel Coelho dos Santos Esperança, pela sua consensual beleza pessoal e por ser filha de um médico ovarense ligado à política do anterior Regime (e sobrinha de outro, que em 74 veio a ser pres. da Câmara de S. M. Feira) era um “partido” cobiçadíssimo. E infelizmente bastante auto-convencida sobre essa matéria. Desprezou um primo feirense que mais tarde veio a ser general brasileiro da Aviação, em São Paulo. E desprezou, por achar feio, o filho médico de um antigo presidente do F. C. Porto, de origem alto-duriense (por ela dramaticamente apaixonado e que nunca lho desculpou…). Muito influenciada pelo cinema de Hollywood, mas moralmente muito recatada, ela confessava pelo resto da vida que (além do meu Pai, que conheceu meses depois, num baile, mas a quem de início também não ligou muito), um dos 2 outros amores (estes, frustrados) do seu passado foi o recém-formado engº José Bonifácio, com o qual estaria para iniciar decisivo namoro. Mas que foi a Londres realizar uma operação, nela vindo a falecer. Este jovem era parente de sangue chegado, da notável historiadora e crítica.



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