Espaço do Diário do Minho

Um passo para a inclusão
12 Jul 2019
Carlos Dias

Terminam hoje os 1o Jogos Inclusivos da ISF (In- ternational School Sport Federation) organiza- dos na Póvoa de Varzim. Durante uma semana assistiram-se a momentos marcantes e eventual- mente históricos, para o desporto nacional.

Este evento, da responsabilidade da DGE e da DGEs- tE, potenciou o Desporto Inclusivo, não só pela ati- vidade em si, mas porque também incluiu um Semi- nário, sobre a mesma temática. Toda esta proposta de realização partiu do nosso País e a ideia base foi rea- lizar algo que permitisse a participação internacio- nal, em três modalidades distintas: Boccia, Goalball e Atletismo Adaptado.

A adesão não foi muito forte, o que demonstra a necessidade de abrir as mentalidades e que ainda há mesmo muito caminho para percorrer. Este foi um pe- queno passo, mas o sucesso de realização, deu o mo- te para a pertinência de continuar, insistentemente, a realizar este tipo de eventos.

É evidente a necessidade de momentos desporti- vos inclusivos. É muito evidente que há muito para fazer. Não sou apologista do tratamento igual de to- dos, mas sim abrir as mesmas oportunidades, inde- pendentemente da condição, habilidades e capacida- des. Para a construção de uma sociedade inclusiva é necessário privilegiar o respeito pela diferença, pela diversidade e ter a capacidade de potenciar o desen- volvimento de todos, mas nunca “por igual”.

Como disse o Secretário de Estado da Educação: “Uma sociedade inclusiva será aquela em que não se- ja preciso falar de inclusão!”. No entanto, durante esta semana, os protagonistas foram os alunos, a discussão sobre o desporto inclusivo e a oportunidade de rom- per algumas barreiras entre as federações que se de- dicam a estas áreas de intervenção.

Estes 1o Jogos internacionais escolares de Despor- to Inclusivo foram uma oportunidade de aproximar as maiores diferenças, sem olhar o outro como um “extraterrestre” e, em concreto, criar laços, em que os presentes poderam experimentar, correr, jogar, com- petir e conviver.

A avaliação foi muito positiva. Tivemos alunos a participar, oriundos de diversos países europeus, e foi muito interessante assistir à partilha de experiên- cias, à troca de ideias, de culturas, hábitos e de algu- mas boas práticas que marcarão, com certeza, o fu- turo destas crianças e as mentalidades de muitos dos intervenientes (diretos e indiretos).

No fundo, ao sonho destas crianças foi adicionado um momento, quer ao nível desportivo quer ao nível da sua formação cívica e social, que jamais esquece- rão. Foi uma semana inesquecível, em que simples- mente foram os protagonistas principais e em que o seu mérito de estar, de participar, também lhes foi reconhecido.

No final, Portugal foi o grande vencedor, não só porque venceu o prémio global do evento, venceu 2 das 3 modalidades em disputa, mas porque organi- zou, com grande sucesso, um momento grandioso e histórico. Hoje, depois desta experiência, ficamos to- dos a ganhar! Isto é inclusão!



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