Espaço do Diário do Minho

Sem voz, sem representação
12 Jul 2019
Artur Soares

Segundo um estudo recente da Fundação Aliança de Democracias (Rasmussen Global) e do centro de sondagens alemão Dalia Research, Portugal é o terceiro país do mundo onde o povo se sente menos representado e, onde menos sentem a sua voz. Não admira que tal resultado surja, que tal verdade venha à tona da água. Sente-se que desde o início desta terceira República, nunca os Governos serviram o interesse público. O que se passa no país com a actuação dos políticos partidários, é que todos, ou praticamente todos, procuram o poder custe o que custar, abalroe-se ou calque-se quem quer que seja: o fim é engordar as carteiras e ganhar privilégios.

Também é verdade que os portugueses não têm voz em política. Sabemos dos desvios da prática democrática. Logo que terminem as eleições, o povo não conta, não é ouvido, é ostracizado e, noutros casos, burlado politicamente, isto é, pouco ou nada concretizam do muito que prometeram nas campanhas eleitorais. De tal forma o povo sente que não há nos políticos o interesse público, que até tem o exemplo deste Governo de António Costa ter ido longe demais: perdeu as eleições legislativas de 2015 e fizeram-se governantes: representantes daqueles que não lhes deram nem lhes pediram a representação.

Todas as nações possuem leis que tanto podem ser boas como más, ou simplesmente aceitáveis. Chama-se a essa acção política (legislar), a arte de governar, organizar/proteger os governados. Mas sabe-se também, que em várias nações existe a paixão de dominar, de impor, de garrotear os povos, que torna esses governantes em doentes ou pobres de espírito e que o povo tem de suportar, de tragar. Por assim ser, defronta-se o povo sem representação, com alpinistas de ocasião, com a paixão do domínio e da busca do dinheiro fácil, situação que traz aos governados a grande fábrica de governantes inúteis.

Se é saudável a existência de Partidos políticos para democraticamente exercerem o poder em nome do povo pela força do voto, doentio é saber-se que um partido político pode ser uma máquina de fabricar uma paixão colectiva, uma organização de modo a exercer uma pressão colectiva sobre cada um dos seus membros e, ter, por única finalidade o seu próprio crescimento ilimitado, mas nunca o “crescimento” e o bem do povo.

Recordemos o amiguismo, os compadrios e afilhadismos daqueles milhares que são nomeados quando se forma novo Governo e dos expulsos que se lhes seguem, pela perda do poder que seus padrinhos atingiram. O caso mais concreto da busca em “crescimento próprio” pelos não tirocinados de Costa no poder é o presidente do PS, Carlos César, ter na máquina que o povo não elegeu, um filho, a nora, o irmão e uma sobrinha!

Afirma o estudo acima mencionado, que o povo português é o terceiro povo do Mundo (entre 50 países estudados) que não se sente representado pelos governantes e onde a sua voz não é escutada. Quem não sente o descalabro profissional nos hospitais públicos e as falhas em todos os cantos dos seus interiores? Quem não sente que circulam em câmara lenta e aos solavancos, serviços do SNS por falta de pessoal e de atendimento aos doentes? Porquê tanta desilusão profissional entre médicos e enfermeiros? Quem não sente que o Ensino em Portugal é degradação total, desalento e onde se exerce perseguição económica aos professores?

Quem não recorda a triste novela do assalto aos paióis de Tancos em 2017, onde ninguém era culpado, mas que no momento presente já tem 23 arguidos, inclusivamente o ministro Azeredo Lopes que, sendo o maior responsável, dizia desconhecer a novela? Quem esqueceu os incêndios e as dezenas de mortes neles contidos, bem como desvios do dinheiro da solidariedade dos portugueses e das vigarices na reconstrução de casas em Pedrógão? Quem esqueceu os milhares de milhões de euros enterrados na Banca por habilidosas mãos e quem desconhece que a dívida do país é a terceira maior dívida da Europa? Quem desconhece que este Governo afirmou ir repor o dinheiro aos aposentados do Estado e continuam esses servidores a não receber o que recebiam em 2011, saques de Sócrates e de Passos Coelho?

Razão tem o autor do livro Mafia Life quando afirma: “Os Partidos políticos, normalmente, são ninhos de máfias e as máfias sentem-se neles como peixe na água porque podem eleger políticos e ajudar empresários nos seus negócios. A máfia anda de braço dado com a democracia e com o capitalismo da democracia e a economia de mercado”. Portugueses sem representação e sem voz, diz o estudo. E na discussão do Estado da Nação 2019, que representação testemunharam ao povo? Acusações mútuas, digladiação e hipocrisia política.

(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)



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