Espaço do Diário do Minho

Festival Internacional de Órgão: aguardamos o VII
11 Jul 2019
Carlos Aguiar Gomes

«Malgré des symptômes préoccupants, les Occidentaux refusent de se remettre en question. Prenons l’exemple des arts, de l’architecture, de la poésie, de la peinture, ou de la musique. Comment ne pas constater une régression terrible? Le beau disparaît de l’horizon. Le laid est érigé en norme indispensable.» ( Card. Robert Sarah, in « Le soir approche et déjà le jour baisse», Fayard, Paris, Março, 2019).

São palavras sábias de um Cardeal africano. Não são de um qualquer “maldito” conservador, retrógrado, europeu – branco e heterossexual! Não! O Cardeal é africano e vem de um país pobre que sofreu a maldição de um regime feroz comunista de Sékou Touré. É um Homem humilde, sábio, culto e piedoso (palavra terrivelmente incómoda nestes tempos de apostasia silenciosa). Dito isto, as “almas sensíveis” que dominam o pensamento único, politicamente correctas, não lhe podem arremessar pedras. Lá vontade não lhes falta. Mas, contudo, há muitas pedradas contra este Cardeal de onde não se esperavam pedradas!

«Le laid est érigé en norme indispensable», sim o feio, o horrível, são a norma. Basta olhar/ouvir o que se vê/ouve. Tomo, como exemplo, a chamada música que não é se não ruído …nas televisões, nas romarias, dentro das igrejas… e em todo o local onde deveria haver música e não ruído. Poderia dar outros exemplos da promoção do feio, disforme… como a chamada “capela imaculada”…

…Vem este intróito a propósito da enorme qualidade, contra-corrente, da promoção do belo que têm sido os FESTIVAIS INTERNACIONAIS DE ÓRGÃO, de Braga, cuja 6.ª edição me deixou com saudades da excelente música que proporcionou: organistas, solistas vocais ou instrumentais e coros. Foi tudo do melhor! De facto, este Festival atingiu níveis que o catapultam ao que de melhor se faz na Europa. O BELO foi a norma.

Obviamente, e toda a gente o sabe, este Festival Internacional de Órgão, não é para liturgistas nem é de música litúrgica, ainda que se oiçam e tenham escutado belas interpretações da boa música sacra e litúrgica. Se bem interpreto o conceito que preside a este Festival Internacional será o de dar a conhecer as extraordinárias potencialidades do órgão, desde a sua versatilidade quer como instrumento solo quer como instrumento integrado e acompanhante de coros ou orquestra. Também o de deleitar os melómanos e despertar novos melómanos. Divulgar o nosso património nacional e internacional a nível organístico e desenvolver a vontade para que novos músicos ousem compor para este instrumento.

O VI Festival Internacional de Órgão que terminou a 19 de Maio p.p.na igreja de S. Paulo, no dia 19 de Maio, acabou numa explosão de beleza! O coro da Universidade do Minho e a Orquestra desta, com a organista Coralie Amedjkane foram magníficos. Foi um verdadeiro TE DEUM LAUDAMOS! O VI Festival Internacional de Órgão de Braga terminou em beleza. O Belo não sai, assim, do nosso horizonte. E o feio não é norma!

Aguardo o VII com a maior expectativa.

Agora, caríssimos organizadores com o estupendo Director Artístico, mãos à obra! Braga merece este Festival.

Um apelo: MECENAS CULTURAIS precisam-se e mais generosos. Braga agradece.



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