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Venda judicial de prédio histórico coloca espaço cultural “Mavy” sem teto

O espaço foi arrendado depois de estar hipotecado, de forma voluntária, ao banco Crédito Agrícola.

Nuno Cerqueira
5 Jul 2019

É mais um espaço cultural que corre o risco de fechar, ou ter que mudar de espaço, no centro histórico da cidade de Braga. Ao que apurou o Diário do Minho hoje de manhã, e após notícia avançada no Jornal Económico, a livraria Mavy terá celebrado um contrato de arrendamento do rés do chão de um edifício – antiga livraria Cruz datada de 1888 e considerado espaço com alma pela Câmara de Braga – até 2034.

Ora, esse contrato está agora colocado em causa porque terá sido celebrado posteriormente à hipoteca voluntária de todo o edifício. Ou seja não é válido e coloca a livraria Mavy em situação “ilegal”.

O problema é que o Tribunal colocou todo edifício à venda, livre de donos de encargos, ou seja, sem ninguém, despertando desta forma o interesse imobiliário. Acabou adquirido pela CRIAT Imobiliária, empresa onde o deputado socialista na Assembleia da República, o bracarense Hugo Pires, tem uma cota de 20%.

«Os antigos proprietários fizeram uma hipoteca voluntária do edifício. Acabou por decorrer uma venda judicial, livre de qualquer encargo. Ou seja, o Mavy está a ocupar um espaço de forma ilegal. Não decorre nenhum despejo, decorre sim uma ação judicial, uma notificação do tribunal para desocuparem o espaço», referiu Hugo Pires ao Diário do Minho.

O sócio da CRIAT Imobiliária referiu ainda que os proprietários foram contactados, mas que nunca mostraram abertura, acrescentando ainda que «é falso» que ali se queira construir alojamento local.

«O interior do espaço, nomeadamente os andares superiores, estão devolutos. Vamos reabilitar todo edifício. O projeto que deu entrada na Câmara de Braga é para habitação permanente nos pisos superiores e nos rés do chão para espaço comercial. Está claro que vamos preservar da traça e história do edifício, dando dignidade que aquele espaço merece», apontou.

O processo de execução decorreu na Instância Central do Tribunal de Vila Nova de Famalicão.

Já os proprietários do “Mavy”, segundo o Jornal Económico, referem foi o próprio Hugo Pires, enquanto vereador na Câmara de Braga, que, em 2013, «emitiu um parecer técnico positivo de alteração de uso comercial do espaço» no edifício que viria a adquirir.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]

 

 





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