Espaço do Diário do Minho

Educar os filhos: Liberdade de escolha (2)
4 Jul 2019
Carlos Aguiar Gomes

Aproximam-se novas eleições: atenção redobrada

(Este artigo é a continuação do anterior com o mesmo título)

  1. Sabendo todos que os pais que decidem educar os seus filhos com o apoio do chamado “ensino privado” pagam o dobrar: pagam o ensino que não frequentam no uso do seu direito fundamental que lhes é roubado, e pagam o ensino onde acham que devem colocar os filhos. Estes pais são penalizados duplamente.

  2. Se uma sociedade democrática é plural por natureza, como se pode aceitar que haja liberdade de escolher o partido político onde se deseja votar, se pode escolher o canal e neste o programa de televisão que se quer ver, se compra o jornal que se quer e quando se quer, ou se pode escolher a religião que se quer ou não ter religião nenhuma, como se pode admitir que a LIBERDADE DE EDUCAR seja dificultada e só para os ricos. Uma sociedade assim é discriminatória, elitista e promove a segregação entre os seus cidadãos em nome de querer um ESTADO EDUCADOR DO POVO!

  3. Não queremos nem podemos admitir uma sociedade perseguidora da liberdade de pensamento e da pluralidade de modelos pedagógicos. Nem uniformizadora do futuro (as crianças e jovens não são propriamente “ frangos de aviário”!).

  4. Não queremos uma sociedade tenha escolas para ricos e pobres.

  5. Queremos, isso sim, que sejam dadas iguais oportunidades aos pais ricos e pobres de ESCOLHA das escolas onde desejam que seus filhos prossigam o modelo educativo da família.

  6. Queremos que o Estado gira com competência e justiça social o nosso dinheiro que pontualmente nos saca mas que se recusa a ouvir a nossa voz de liberdade e da igualdade.

  7. Queremos que os gestores da coisa pública nos digam quanto custa cada aluno, de cada ciclo, com rigor e em cujo cálculo estejam todas as variáveis, como a construção dos edifícios e a sua manutenção, ou as despesas correntes que sabem muito bem e facilmente calcular.

  8. Queremos que o valor acima encontrado seja entregue às escolas, de qualquer titularidade, para gerirem, tornando TODO o ensino gratuito e aos pais não seja pedido outro valor.

  9. Queremos que o ministério da tutela acautele o nível geral de exigência e de qualidade, nomeadamente em áreas fundamentais como a língua materna, a história e geografia do país e as noções essenciais e seu domínio da matemática, nomeadamente. Princípio a ser aplicado com rigor, em todas as escolas, já que é o dinheiro dos cidadãos que está em jogo.

  10. E, vale a pena ler o que diz a nossa Constituição sobre o tema : «Incumbe, designadamente, ao Estado para protecção da família: (…) Cooperar com os pais na educação dos filhos» (Art. 67.º, n.º 2, c) ). Repare-se que não diz que o Estado deve substituir a Família, mas COOPERAR.

  11. A terminar , transcrevemos o Art. 26.º 3 , da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Aos Pais pertence a prioridade de escolher o género de educação a dar aos filhos”.

É o teor deste artigo da citada Declaração Universal que queremos e exigimos seja aplicado, a bem do respeito por TODOS os pais e pela igualdade que deve caracterizar toda a democracia. Também a nossa.



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