Espaço do Diário do Minho

#BragaZeroAtropelamentos

29 Jun 2019
Arnaldo Pires

Os acidentes rodoviários condicionam a morte a 1,35 milhões de pessoas, sendo a 8.ª causa de morte, no mundo, segundo a World Health Organization (WHO). Contudo, ao nível da faixa etária entre os 5 e 29 anos, é a 1.ª causa de morte. Mais de metade das mortes acometem os utilizadores vulneráveis.

Em 1997, surgiu, na Suécia, um pensamento novo, sobre os problemas de mobilidade atual e dinâmicas da cidade: a Visão Zero. Ao introduzir e implementar esta forma de pensar a mobilidade, com o foco na redução efetiva da mortalidade, os suecos implementaram medidas de segregação, dos intervenientes na mobilidade urbana, criando mais separadores centrais, ciclovias e passeios, tendo atingido uma redução de 66% no número de mortes por acidentes rodoviários. Neste momento, a Suécia apresenta 2,8 mortes/100.000 habitantes e Portugal 5.1. A média europeia de peões, vítimas mortais/milhão de habitantes era de 11, em 2015, e em Portugal, na mesma altura, de 14.

Bogotá já implementa medidas de redução da mortalidade rodoviária desde 1996, com o favorecimento de vias BUS, reduzindo as vias automóveis, introduzindo 300 Km de vias Cicláveis e 60.000m2 de infraestruturas para peões. Em 2017, adotaram a Visão Zero, com coordenação global nacional e os resultados são evidentes.

A República da Coreia apresenta o 3.º maior declínio de mortes nas estradas, após ter avaliado as zonas de maior risco, para os utilizadores vulneráveis, e implementado separações seguras dos peões, criando School Bus regulados e Zonas Escola, com limitação de velocidade.

A implementação de zona urbana com velocidade máxima, real, de 50km/h e 30Km/h, em áreas residenciais é urgente. Em 2018, 70% dos atropelamentos, em Portugal, ocorreram dentro de localidades. Mikael Colville-Andersen, especialista em urbanismo, e grande incentivador à mobilidade ativa, sugere que zonas onde se circula de automóvel a 50Km/h não se deve incentivar a andar de bicicleta: nesses locais devem ser criadas áreas segregadas, para garantia de segurança.

Nesse sentido, a Braga Ciclável lançou o movimento #BragaZeroAtropelamentos que pretende congregar esforços, de todas as forças vivas da cidade, partidos, forças de segurança, para promoção desta visão de mobilidade, comprovadamente eficaz. Só com uma visão mais humanista teremos garantias de promoção da mobilidade ativa, e segura, e de estilos de vida saudáveis; melhoria da qualidade do ar; redução do ruído da cidade; e diminuição da mortalidade global nacional.



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