Espaço do Diário do Minho

Educar os filhos: a liberdade de escolha (1)
27 Jun 2019
Carlos Aguiar Gomes

Aproximam-se novas eleições: atenção redobrada.

Não se pode deixar de incentivar o debate em torno de uma questão de liberdade, da liberdade de os pais poderem escolher como é que querem educar os seus filhos, sem ter o Estado omnipresente a tutelar e a guiar os referidos cidadãos, como se estes não fossem capazes, pelo menos a maioria, de saberem o que querem para e no processo educativo da sua prole. É um tema “fraturante” na nossa sociedade, onde assomos de totalitarismo ainda são bastante visíveis/audíveis. Não podemos nem devemos afastar-nos dessa questão, pois dela e nela depende o futuro.

Assim, para ajudar na reflexão, deixamos um conjunto de pistas, elaboradas de forma facilitadora da sua análise. Aqui vão:

  1. A liberdade de os Pais poderem escolher o tipo de educação a dar aos seus filhos NÃO é um direito concedido pelo Estado. É um direito NATURAL.

  2. Os pais, o pai e a mãe, são os PRIMEIROS, PRINCIPAIS e INSUBSTITUÍVEIS educadores dos filhos. Só a eles, e a mais ninguém, assiste o direito de escolher os valores morais, filosóficos, estéticos e espirituais que querem para os seus filhos.

  3. O papel do Estado não é substituir os pais, mas o de criar condições para que os pais possam encontrar respostas para as suas competências primeiras de educar os filhos num modelo de qualidade e exigência PARA TODOS. Caso contrário, é o princípio da SUBSIDARIEDADE a ser maltratado.

  4. O Estado não pode nem deve substituir os pais, mas contribuir, como um apoio complementar de oferta na igualdade.

  5. Além disso, não se pode correr o risco de transformar o Estado (Ministério da Instrução/Educação) em educador do povo. Tal visão é de Estados totalitários que se arrogam o direito, que não têm, de legislar sobre o modo, o como e o porquê da educação das crianças e jovens de um país.

  6. Num país em que o Estado não cria as condições gerais e básicas, em IGUALDADE de oportunidades, de serem os pais a decidir em que modelo pedagógico querem educar os filhos, é um país condenado a ter gerações de pensamento único que ninguém deseja.

  7. Todos sabemos que NENHUMA EDUCAÇÃO É NEUTRA , mesmo quando exercida por educadores que se esforçam por serem neutros, o que é impossível.

  8. Todos sabemos que a educação, toda ela, é “atmosférica “, isto é, todo o ambiente educativo DEVE estar impregnado por valores idênticos e todos os momentos de convívio ou de aprendizagem são momentos educativos.

  9. Numa sociedade democrática, por consequência plural, NÃO SE PODE ADMITIR A NINGUÉM que tolha ou impeça e não dê condições de liberdade de escolha do projecto educativo para os filhos, em total igualdade de oportunidade.

  10. Sabendo todos nós que afirmar que o chamado ensino público é gratuito, é uma MENTIRA pois que são TODOS os contribuintes que o pagam com os seus impostos. Portanto, não há escolas gratuitas (os professores e todos os outros trabalhadores auferem os seus ordenados, a manutenção das escolas, a luz, o gás ou a água são todos pagos com o dinheiro unicamente saído dos nossos impostos). (Continua no próximo artigo com o mesmo título)



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