Espaço do Diário do Minho

Coutos, Hortenses e Constâncios
21 Jun 2019
Artur Soares

Vivemos num país onde somos representados por pessoas que, ou não entendem o povo, ou não se importam com o povo, podem até detestar o povo. Por sua vez o povo, pela força e pelo número de maus acontecimentos que vê e respira, sente-se vítima desses representantes e já não sente que o voto cure o país. Daí a ausência nas urnas, que nestes últimos anos tem vindo a crescer assustadoramente.

Na verdade, os assaltos bancários por “especialistas do saque”, a incompetência de quem governa, as centenas de problemas que teimam em perdurar no tempo e, os Coutos, as Hortenses e os Constâncios deste país, imperam, fazendo um povo frustrado e desorientado: não há medicamentos capazes que reanimem estes dez milhões de portugueses, a terem pedalada para programar o futuro.

O país está altissimamente doente. Este e os outros dois anteriores Governos colocaram o povo em estado de coma: uns empobreceram a Nação, ossificaram ordenados e pensões de reforma. Este Governo (e seus subservientes), não inicia o “virar da página” prometida, não resolve os incêndios e as respectivas mortes de Pedrógão Grande, mas faz-lhes homenagens, pois pensam que ainda há cegos em Portugal.

Não sabem onde está o total dos milhões de Euros ofertados pelos portugueses para as vítimas dos incêndios, mas nada dizem. Sabem que há vigarices em Pedrógão Grande na recuperação de prédios e na existência de cerca de 50 arguidos, mas não dizem nada. A crise demográfica em Portugal é permanente e a economia fica limitada, parecendo que brevemente só teremos reformados. Os Coutos e as Hortenses passeiam-se nas avenidas do saque aos dinheiros do Estado, mas não dizem nada. A TAP, à revelia, premeia alguns funcionários, quando a empresa apresenta prejuízos, mas nada dizem.

Os hospitais não recebem pelos serviços prestados aos doentes do SNS, as cirurgias acumulam-se e os corredores e as retretes estão superlotados de doentes encaixados em camas móveis, mas não dizem nada. Existem menos três mil alunos (este ano) a fazer exames de Física e Química, os professores vivem num inferno e António Costa e seu Governo nada dizem. Victor Constâncio, então administrador do Banco de Portugal, não era responsável, não era nada com ele, não se recorda de nada, não tinha de aconselhar, não tinha que inspeccionar, não tinha que denunciar, não tinha que ser causa de travão para entregar centenas de milhões a Joe Berardo, “emprestados” pela CGD a tão importante figura, a tão elevado empresário, a tão distinto defensor do socialismo e de José Sócrates.

Este Governo de António Costa e esta Banca que, onde um nada resolve e a outra só absorve, esquecem-se os dinâmicos/empreendedores deste país que, ao precisarem de vinte mil euros da Banca para terem emprego ou iniciarem negócios, tudo lhes pedem: exigem garantias de pagamento (p.ex. hipotecas), fiadores com bens e com seguros de vida e, até ao pedinte-bancário exigem a personalidade, a honra, o carácter e o sangue que lhe corre nas veias. Depois inventam impostos e criam taxas, pagam-se de serviços a quem tem conta bancária, praticamente nada dão por depósitos a prazo e, agora, até quem precise de levantar o dinheiro que lhe pertence, paga taxa. Esfola-se o povo, engorda-se a Banca e empresta-se dinheiro aos amigos e silencia-se a riqueza ilícita desde que tenham o cartão de rapazes do Partido.

Assim, porque na verdade nada dizem, importa que no Bairro Alto ou na Mouraria se cante o Fado; que os peregrinos de Fátima se lancem pelas estradas fora e sejam bem protegidos pelas autoridades contra o terrorismo ou contra os ladrões de carteiras magras e que o Futebol faça deste país um povo que o Mundo já admira pelos seus feitos nos relvados mundiais! É penoso ver Portugal retroactivo! Como disse José de Almada Negreiros: “são uma resma de charlatães e de vendidos, que só podem parir abaixo de zero”.

Nada dizem, mas inocentes não são. Exercem a política da vitimização e não se sabe porquê, tapam – assim pensam – as adversidades. Dizem-se perseguidos e dilatam-na com publicidade para lorpa-consumir. Surgem os problemas em qualquer canto e seria obrigação resolvê-los, mas não são capazes de os enfrentar – limitam-se a sorrir. Fazem promessas de toda a ordem e anunciam que vão fazer, investir, rectificar, mas quando tudo vai falhando e a sorrir, justificam-se, falando meia hora em cinco minutos.

Olha António Costa para acontecimentos passados, mas não sabe usufruir deles para o bem do país, limitando-se a modificar algo para permanecer no poder, defender Coutos, Hortenses, Constâncios e os Berardos, e não para democraticamente servir Portugal.

(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico).



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