Espaço do Diário do Minho

“Avaliação no Superior”: propinas, medo, igualdade, corrupção e americanices?
21 Jun 2019
Gonçalo S. de Mello Bandeira

Medo? De quem não consegue dar Razão às suas propostas e ao mesmo tempo é a favor duma maior violação da Constituição da Coisa-Pública, art. 74º/2 e), descarregando propinas nos alunos.as do ensino superior. Ou tu tens medo desta avaliação dos alunos.as?Vide:Remunerações no Ensino Superior Impostas por Lei”, 7/9/18; “Roubo no Trabalho Nocturno do Ensino Superior”, 14/9/18; “Assédio Moral a Professores e Investigadores do Ensino Superior”, 1/3/19; e ‘Público’ Induzido em Erro sobre Professores do Ensino Superior”,14/6/19. O “medo” é humano. Como p.e. quando tantos professores e investigadores arriscam a sua vida. Tu sabias que a precariedade provoca ataques cardíacos e cancro etc.?V.g.:http://www.bbc.com/capital/story/20180502-how-your-workplace-is-killing-you, 3/5/18. Ou, noutro prisma, Brasil, o país “recordista” onde há cerca de 60.000 homicídios anuais incluindo professores; EUA, onde já é permitido que os professores andem armados, pois “a qualquer momento pode haver tiros”; vários países europeus, onde as ameaças terroristas ainda estão longe de atingir o auge. Para não falar em Portugal, onde um Procurador-Geral-Ad. me disse que “há a percepção que está a ser preparado um atentado terrorista em Portugal, pelo aumento de turistas e da pena ser só 25 anos”. A Oriente pior. I.e., a “sociedade do medo” de hoje em dia que para alguns justifica o “direito penal do inimigo” à boa maneira do nazi Carl Schmidtt ou do agora “mensageiro neutro” Günther Jakobs, afecta todos os seres humanos.

A introdução de quotas de avaliação dos professores do ensino superior (que é o caso que conhecemos) para ter notas como “excelente” (note-se que nem 29% progrediram em Portugal até agora) visa apenas no essencial poupar custos e impedir progressões salariais (mais do que justas face à perda do poder de compra dos portugueses residentes cá e pelo Euro: p.e.https://expresso.pt/economia/2018-12-13-Portugueses-voltam-a-perder-poder-de-compra-face-aos-europeus-e-estao-pior-do-que-antes-da-crise). Conspurca-se o princípio constitucional da igualdade de oportunidades, art. 13º, pois se a quota apenas permite 5%, que fazer dos 6%? E curioso serem alguns neoliberais a defenderem uma medida em que é o Estado colectivista a esmagar a meritocracia individual! E ainda proibir a avaliação não-individual, i.e., criando um clima no trabalho de “inimigos”, onde um dos resultados naturais, como Heráclito previu cerca de 2,5 mil anos atrás com o Polemos, é as pessoas se começarem a matar entre si. Lembra-me de António Costa, então Ministro da Justiça, que chegou a querer “acabar com as Ordens profissionais, pois geradoras de desemprego e quotas artificiais…”. Em boa hora aumentarão as vagas no superior. “Avaliação dos alunos com consequências?” Bem, como votará num inquérito anónimo um aluno que p.e. tinha reprovado pela 3ª vez ou mais (com justiça, pois tem graves dificuldades que vão ao ponto de nem responder!)? E se acontecer um ano em que há vários alunos.as muito fracos, como vão eles responder ao inquérito depois de reprovação? Como reagirão a isto, professores e investigadores precários? Resposta: corrupção criminosa, pois sentir-se-ão tentados a aprovar alunos.as que erram respostas (em nome das boas estatísticas?). Alguns destes modelos implantados nos EUA, onde ter estudos, ao contrário dos rankings, pode valer zero de credibilidade, pois durante anos (sem contar cifras negras), “Estrelas de Hollywood e grandes empresários em escândalo de fraude no acesso a universidades de elite”, Público, 12/3/19… Quando outras universidades doutros países, como os Escandinavos e Alemanha, sem propinas sobre os alunos.as, produzem dos melhores formados do mundo e nem sequer aparecem nosrankings. E onde professores e investigadores não precários com sabáticas e actualizados são o segredo.



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