Espaço do Diário do Minho

«Os urbano-depressivos»
19 Jun 2019
Carlos Aguiar Gomes

O título deste artigo, “roubei-o” a Miguel Sousa Tavares, em determinada entrevista que, não há muito, deu num órgão de comunicação social. Referia-se aos “animalistas” e afins que colocaram um deputado em Bruxelas. E, como achei interessante e irónica a expressão para designar essa gente, fui buscá-la para lamentar profundamente o que ouvi e li nos noticiários do dia 9 de Julho p.p.: O PSD vai propor a pena de prisão para quem matar um animal de companhia!… Um espanto de lorpice. Um espanto por ir a rastos dos tais “urbano-depressivos” que equiparam os animais ao Homem.

O PSD não achará na nossa sociedade nada de mais preocupante e aviltante do que matar um animal de companhia? E o que é um animal de companhia? Um gato. Um cão. Uma tartaruga. Uma jibóia. E, por que não um grilo? Ou uma pulga teimosa que nos sobe pelo corpo? Ou piolhos que procuram o nosso couro cabeludo?

O PSD, pelos vistos, valoriza muitíssimo mais a morte de um dito animal de companhia do que um bebé indefeso que aguarda o nascimento e que é assassinado pela mãe ou com o seu acordo, crime (ainda que a lei não o considere como tal) protegido por lei, promovido como  uma medida de “ saúde sexual e reprodutiva”!…

Tomei nota desta “ sábia” medida dos proponentes!

…E já agora, antecipe-se o PSD, partido que tinha por muito respeitável, na proposta de eleição desses animais para o Parlamento, fazendo companhia aos humanos eleitos, com acesso ao luxuoso restaurante daquele areópago português, com direito a um ordenado compatível e reforma atinente ao alto desempenho que terão em nome de outros animais de companhia que não serão eleitos mas que representarão com uma dignidade felina, canina… Afinal, não vale mais um cão rafeiro do que um bebé por nascer?

O PSD perdeu-se no Norte e o norte. Quem diria!

Não haverá causas importantes para  ocupar os políticos deste Partido?

Que eu saiba, e digam-me se estiver errado, os animais de companhia, que não devemos maltratar, numa época em que a economia e as finanças preocupam os humanos, não contribuem em rigorosamente nada para o PIB. Nem combatem o «Inverno demográfico» de que os políticos falam mas com o qual nada se preocupam (recordo que desde 1982 que Portugal não substitui gerações!).

Que tal o PSD ocupar-se ainda mais e mais na luta contra a corrupção, contra a manipulação das mentes infantis com a Teoria do Género, contra a mentalidade contraceptiva que ajudou a instalar, contra a emigração forçada de tanta «massa cinzenta» que deixa o país cada vez mais pobre, por políticas que promovam e apoiem as famílias (não me refiro a outros géneros de convivência afectivo-sexual da moda a que designam família), que defendam e promovam uma verdadeira liberdade de educar os filhos, que tudo façam para impedir que o Estado se torne o «Educador do Povo» à semelhança de todos os regimes autoritários…

O PSD devia ter vergonha desta proposta! Não vão a reboque das modas animalistas que nos querem equiparar a simples bestas! Façam a diferença centrando as vossas preocupações nas Pessoas Humanas, desde a sua concepção até à morte natural. 

Para terminar, quero ter (como sou lorpamente ingénuo!) a certeza de que votarão contra a legalização da eutanásia para serem coerentes com a proposta que anunciaram. Não aumentem a lista dos tais «urbano-depressivos»! 

…Se matar um animal de companhia dará prisão de três anos, então, matar um doente ou um velho… que faz companhia e precisa de companhia, que pena dará ao assassino? Ou vão promover e apoiar a sua morte e condenar aquele que matar o cão o gato de companhia destas vítimas da estupidez e da incongruência?

*Amigo, desde sempre, dos animais, rústico e não depressivo. 



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