Espaço do Diário do Minho

Tragédia à portuguesa
14 Jun 2019
Carlos Dias

No passado domingo, toda a família se juntou no sofá (já que no estádio é quase proibitivo) para assistir ao jogo da final da Liga das Nações. Equipados a rigor, era como se estivéssemos na primeira fila do Estádio do Dragão. Na primeira parte quase adormecemos. Na segunda parte, sentimos a emoção do golo, relembrando o Éder, e logo a seguir a pressão da “tragédia portuguesa”, até ao apito final. Aquele sentimento em que sonhámos com o grandioso, mas que nunca se cumpre.

Contudo, chegado o fim de jogo, o alívio, a alegria, a emoção, o orgulho, apoderaram-se de todos nós. Afinal também podemos ser os primeiros. O povo saiu à rua. A Taça é nossa! As bandeiras esvoaçaram, os cachecóis agitaram-se, as vozes disseram vezes sem conta, bem alto, coordenadamente, o nome de Portugal, o orgulho atingiu a máxima intensidade.

As comemorações do Dia de Portugal começaram um dia mais cedo. O lindíssimo troféu, concebido por uma equipa de portugueses, o evento organizado por uma equipa alargada e em Portugal (como sempre, com índices de excelência na organização e altamente elogiado por todos) e a equipa vencedora é a nossa. Afinal provámos que sabemos trabalhar em equipa. Tudo correu bem e contrariámos, mais uma vez, a sina portuguesa, do “quase”.

Pela segunda vez em três anos conquistámos um troféu internacional de relevo. No entanto, apesar de todo este cenário de orgulho nacional e felicidade conjunta, logo apareceram os detratores, com os genes dos “velhos do restelo”, a “derreter” as opções do selecionador nacional. As escolhas foram “duvidosas”. A tática totalmente “desajustada”. Ganhámos um troféu internacional, por “apenas” 1-0, mas devia ter sido por “meia dúzia”… Estranha tragédia “à portuguesa”. Até parece que não temos o direito à felicidade incondicional.

Da igual forma como o futebol, também o voleibol está envolvido na Liga das Nações. Apesar da moldura competitiva ser de formato distinto, também o voleibol, tem levantado as bandeiras com as cores lusas. Poucos saberão que, este fim de semana, Gondomar vai ser o Palco da elite do voleibol. Recebe o Brasil, a China e a Sérvia, em mais uma etapa da VNL. Uma competição sob a alçada da Federação Internacional. Durante 5 semanas, as equipas jogarão “todos contra todos”, em grupos de 4, num total de 130 jogos (120 nesta fase e mais 10 nas finais).

Uma competição muito difícil, em que a cada semana, em países distintos, se luta por cinco lugares na fase final, que se juntarão ao país organizador. A fase final disputar-se-á, nos masculinos nos Estados Unidos e nos femininos na China, durante o mês de julho. Portugal pode orgulhar-se de pertencer a uma elite das 16 melhores equipas do Mundo.

A seleção nacional, liderada pelos irmãos Ferreira, tem tido até ao momento tarefa difícil, mas apesar de ser a nossa primeira vez nesta competição, já conseguimos vencer um dos países com maior tradição nesta modalidade: a Bulgária. E penso que, neste fim de semana, podemo-nos bater com os países que nos visitam, nomeadamente com a China, já que os outros dois pertencem aos tubarões da modalidade e, será, com certeza, tarefa bem mais difícil. É um momento de contrariar a “velha sina” e a nossa típica “tragédia à portuguesa”…



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