Espaço do Diário do Minho

Alergias aos pólenes
14 Jun 2019
João Cunha

Estamos na primavera e o verão vem depressa. Apesar de existirem pólenes no ar durante todo ano, é nesta época que a concentração de pólenes é mais elevada devido à intensificação da floração e polinização. É por esta ocasião que surgem mais frequentemente manifestações alérgicas a alérgenos do exterior chamadas alergias sazonais, alergias aos pólenes ou febre dos fenos como também é conhecida.

Mas o que é uma alergia? É uma manifestação de resposta exagerada pelo sistema imunológico do nosso organismo em presença de uma substância estranha, ou seja, um estímulo específico chamado alérgeno (por exemplo, o pólen) e que numa pessoa não alérgica não provoca essa reação. Nas pessoas alérgicas aos pólenes, o contacto com o alérgeno desencadeia sintomas em poucos minutos ou algumas horas depois. Os órgãos reativos habitualmente são relacionados com as vias respiratórias (começam no nariz e terminam no pulmão), podendo também ser afetados os olhos e menos frequentemente a pele.

Nos olhos poderemos ter sinais de conjuntivite – olho vermelho, lacrimejo, sensibilidade à luz e prurido (coceira). No nariz, sintomas de rinite alérgica – prurido, crises de espirros, coriza ou rinorreia (pingo nasal), obstrução nasal, muitas vezes associados a sintomas oculares e também a sintomas de asma brônquica – tosse seca e irritativa, opressão torácica, com sensação de falta de ar, por vezes com respiração ruidosa e piante (chieira). Na pele manifesta-se mais frequentemente nas zonas de flexão (pregas) do cotovelo, joelhos com prurido, pele seca descamativa mas também pode apresentar-se com inflamação e às vezes exsudativa (húmida).

Se identificada a clara relação dos sintomas com alergia aos pólenes ou a sua suspeita por episódios anteriores as medidas de evitar a exposição aos alérgenos pode trazer alivio. Assim:

– Deverá evitar passear pelo campo ou floresta, praticar desporto ao ar livre ou fazer campismo;

– Se viajar de automóvel, mantenha as janelas fechadas e use o ar condicionado (verifique os filtros com regularidade);

– Evite arejar prolongadamente a casa (especialmente o quarto onde dorme) principalmente no período da manhã, altura em que existe mais polinização, bem como nos dias ventosos e secos na época dos pólenes;

– Ao ar livre use óculos de sol, reduzindo o contacto com os pólenes;

– Evite cortar a relva ou fazer trabalhos de silagem de ervas ou fenos;

– Use creme hidratante e proteja a pele com roupa larga que facilite a “respiração” da pele;

– Não fume, pois para além de ser prejudicial para a saúde, o fumo do tabaco vai agravar os sintomas da alergia respiratória;

– Consulte do boletim polínico no sitewww.spaic.pt, pode ser importante para orientar a evicção de exposição a pólenes.

Perante sintomas de alarme de alergia deve procurar o seu médico assistente para orientação terapêutica e se necessário ser dirigido para consulta específica onde se estude e trate alergias. Será o especialista que fará a confirmação de alergia, qual ou quais os alérgenos causais e se há lugar a fazer dessensibilização antialérgica específica com vacinas.



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