Espaço do Diário do Minho

A mobilidade em Braga e o pulsar da cidade
14 Jun 2019
António Lima Martins

Muito se tem falado dos problemas crescentes de mobilidade da cidade de Braga. Os mesmos são visíveis e indisfarçáveis.

Tem-se procurado cimentar algumas ideias, alavancando outras, investir em meios e estudos que permitam adiante sanar aqueles.

Muitas críticas se têm ouvido dirigir ao executivo municipal, mas mal! Repare-se: Braga tem nos últimos tempos vivido uma nova dinâmica empresarial, comercial, cultural e mesmo demográfica que geraram e geram novos desafios! Um dos quais o da mobilidade. É o resultado de um novo paradigma que rompeu com a iniquidade dos que apenas beneficiavam se da mesma orientação, para se sedimentar no rigor das escolhas, rigor das contas, rigor da estratégia.

Esta capacidade de simbiose entre o controlo financeiro e o investimento, da reversão de políticas tacanhas e afuniladas da cidade para lhes dar mundo, globalidade assente em vários eixos interlocais e internacionais, teve um efeito esmagador que agora – apesar daqueles que o desacreditavam ou criticavam – se consolida e geoposiciona Braga como centro vivo e multinacional.

Voltando à mobilidade, digamos às dificuldades desta, mais não é que a consequência das dores naturais de crescimento de uma cidade que não estava preparada para o mesmo, nem se lograria preparar em poucos anos!

A cidade cresceu no betão mas não em harmonia, de forma sã, com vistas no horizonte para se acomodar um futuro de dimensão europeia que se deveria ter desejado, mas não desejou. Todos hoje elogiam a visão de vias que se criaram em tempos idos e que ainda são estruturais; mas o que se criou durante anos de gestão socialista anterior foi para o imediato, foi reacção e não acção, foi privilegiar eleições e não o governo da cidade, o crescimento desmesurado em detrimento do sustentado.

Não se pretenda que hoje, num passe de mágica e em pouco mais de um mandato, se transforme aquilo que se cristalizou em décadas. Não se exijam resultados imediatos – alguns que já os há – que não se exigiram em mais de 30 anos de um mesmo executivo.

É verdade que há uma nova onda e imagine-se a sua dimensão se não tivesse havido necessidade de tapar buracos, sarar feridas de uma gestão conjuntural ou se milhões não fossem desviados para devolver ou tentar devolver “esqueletos” ao seu sítio!

Corrigir erros do passado é bem mais custoso do que bem empreender no início. Braga está e vai modernizar-se ainda mais, claro está com os embates que qualquer nova visão importa. Mas Braga já não tem só corpo, tem alma e esta sente-se. Por isso o futuro se prevê efusivo. É bom hoje sentir Braga!



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