Espaço do Diário do Minho

Não me amordaçam! Não quero! Não deixo!

13 Jun 2019
Carlos Aguiar Gomes

Depois de ver o “maremoto” que causou uma infografia que a Federação Portuguesa pela Vida preparou e o Patriarcado de Lisboa usou, com o fim de compaginar o que pensam os Partidos políticos portugueses que concorreram às últimas eleições, com a Doutrina Social da Igreja, de sempre, sobre temas vitais, dei comigo, depois de saber que a dita infografia fora retirada que eu tinha uma solução drástica para não “melindrar” os que defendem o aborto, a eutanásia e outras causas fracturantes: rasgar os grandes documentos da Igreja sobre os temas referidos. Deu-me uma vontade imensa de rasgar e queimar, para não deixar rastos do que pensa e ensinou a Igreja, por exemplo o Compêndio da Doutrina Social da Igreja; o Compêndio da Doutrina Católica; A “Familiaris consortio”, a “Evangelium vitae” e até a última Carta Pastoral dos Bispos sobre as últimas e próximas eleições (2 de Maio de 2019). Estes e outros documentos convidam-nos a lutar, propor e defender as causas que deveriam ser objecto de grande mobilização civilizacional!

“Borram-se” de medo e retiraram a dita infografia para não ofender os defensores da “Cultura da Morte”. Recuaram. E não está certo, de todo.

(Quanto mais recuarmos, com medo, mais avançam os defensores da “cultura da morte”. Não se conhece a história?)

É um dever esclarecer claramente quais são as propostas dos partidos concorrentes que NÃO podem ter o apoio dos católicos. Para que o voto seja consonante com os valores que são estruturantes da nossa Cultura. Não o fazer é cobardia. Cobardia! Como não podemos dar “pureza” a quem defende tenazmente e conscientemente as impurezas ( crimes) que querem impingir… É evangélica esta expressão esquecida e «apagada» do nosso quotidiano: «que o teu sim, seja sim e o teu não , seja não».

A Doutrina da Igreja sobre o Aborto, a Eutanásia e outros temas que giram à roda da “Cultura da Morte” não são opcionais, “à la carte”. Se for assim, calem-se os Bispos para sempre. Rasguem-se todos os documentos que não estão na onda de demolição do nosso património moral. Não percam tempo os nossos Prelados a escrever Cartas Pastorais só para mostrar serviço, como esta última, onde se equacionam e, claramente, indicam o que devem ser as escolhas dos católicos.

…Ou será que a “CARTA PASTORAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA” (2 de Maio p.p.) também vai ser eliminada por indicar, por exemplo, citando o II Concílio do Vaticano: «A pessoa é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais.»…. «Perante isto, exige-se até uma maior protecção do ser humano mais vulnerável, por si mesmo ou pela fase da existência por que passa: o embrião, o feto, o recém-nascido, o deficiente profundo, o demente, o doente em fase terminal. Podemos mesmo dizer que o grau de humanidade de uma civilização se pode aferir pelo cuidado com que esta trata os seus elementos mais débeis». Assim, com toda a clareza, os nossos Bispos dão indicação de voto: votar em quem defende os mais débeis! Se não é isso que pretendiam… para gastaram tanto tempo dirigindo-se a «ajudar os católicos do nosso País e tantos outros portugueses a abraçar os principais desafios com que hoje se deparam no mundo em geral especialmente em Portugal e na Europa» ( idem).

E os nossos Bispos terminam a dita Carta com esta frase: «Com esta reflexão orientada pelos grandes princípios da doutrina social da Igreja, queremos contribuir para um melhor discernimento sobre as realidades do nosso País e da Europa, numa altura em que somos chamados a participar através do voto em eleições europeias e nacionais, visando a construção de uma sociedade mais justa e fraterna».

Mas, contra ventos e marés, há muito cristãos que são fiéis ao património de sempre no âmbito da Doutrina Social da Igreja.E não são um « bando» de cobardes e «cagarolas». Não e não!

Não nos amordacem! NÃO, NÃO ME AMORDAÇAM. E também não vou rasgar os grandes documentos do Magistério, politicamente incorrrectos, e que me moldaram tal como me esforço por ser: coerente no pensar e no agir na defesa da Vida e da Família.

O voto é livre. …a cobardia também! Eu sei de que lado tenho estado, estou e estarei: sempre pela VIDA!… E podem crer que nunca me deixei amordaçar nem é agora que o vou permitir. Não posso, não quero e NÃO DEIXO!

P.S.Por erro meu, e só por erro meu, este artigo não foi publicado no Diário do Minho. Ao seu Director peço me releve esta falta.



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