Espaço do Diário do Minho

Bom e mau uso do poder
13 Jun 2019

1.Oportuna uma reflexão sobre o bom o e o mau uso do poder. Poder que deve ser exercido como serviço à comunidade e não como oportunidade para tomar decisões em proveito próprio ou dos amigos.

As comunidades precisam de bens e de serviços. Quem os deve fornecer?

A resposta é óbvia: quem melhor serve a comunidade e não quem maiores benefícios dá ou promete a quem tem o poder de decidir.

2.Ao contratar a prestação de um serviço ou o fornecimento de um bem há que atender à qualidade e ao preço. Fixar-se no preço ignorando a qualidade é sujeitar-se a servir mal a instituição.

Quem vai ao mais barato corre o risco de fazer da instituição que dirige um depósito de lixo.

A pretexto de servir barato o fornecedor pode ser tentado a impingir ao cliente o que, por falta de qualidade, outros, de olhos abertos e menos forretas, não querem.

Mons. Mouta Reis, que dirigiu durante décadas o Seminário Conciliar, recomendava aos seminaristas: meninos (era assim que tratava os alunos de Teologia) comprem bom que somos pobres. E recordava o provérbio: Quem se veste de ruim pano veste-se duas vezes por ano.

Parece anedótico mas aconteceu. Comprei um quebra-nozes numa loja de produtos baratos. Quando o usei pela primeira vez a noz não partiu, mas partiu o quebra-nozes!

Há casos em que se confirma o provérbio segundo o qual o barato sai caro.

3.Que adianta fornecerem-me um bem a preço irrisório, mas sem o mínimo de qualidade?

Que me adianta disponibilizar-se alguém para me prestar um serviço a preços módicos se não possui a competência necessária para o prestar como convém?

Podem ver a festa estragada os noivos que confiam a responsabilidade do almoço do casamento a um habilidoso que, por ser inexperiente, trabalha barato.

4.Quem dirige deve ter um orçamento. Um orçamento digno e não de miséria. Entre o luxo e o lixo há situações intermédias. E dentro do orçamento de que dispõe deve procurar servir o melhor possível. Isto de fazer dívidas para quem vier atrás ter de pagar… isto de gastar numa semana o que deveria dar para todo o mês…

5.O bom senso aconselha quem tem o poder de decidir a, periodicamente, abrir concurso para o fornecimento dos bens e serviços de que a instituição necessita. E o fornecimento, logicamente, deve ser adjudicado a quem, de harmonia com o binómio qualidade-preço, oferece a garantia de prestar o melhor serviço.

Amigos, amigos, negócios à parte. Nestes casos, o melhor amigo é quem melhor serve.

O dirigente que se deixa levar pelo compadrio pode ter de enfiar barretes, o que de forma alguma convém. Até porque quem sofre as consequências das más ou interesseiras decisões é a comunidade por si dirigida.

Acima de tudo deve ser colocado o bem da instituição e das pessoas por ela abrangidas. Se o chefe de família, para ser agradável ao merceeiro amigo, leva para casa produtos impróprios para consumo…

6.Quem presta um serviço deve ser convenientemente remunerado. Quem pagar pouco sujeita-se a ser mal servido.

O orçamento deve ter em conta a dignidade de quem serve e de quem é servido.

Fazer economias está certo, mas fazer economias quer dizer gerir bem os recursos disponíveis.

Se poupar consiste em apresentar resultados positivos à custa de bens que ninguém quer ou de serviços de má qualidade pode ser considerado ato de má gestão porque pode significar deitar dinheiro fora.

A poupança também tem limites. Há economicismos em resultado dos quais as pessoas não são servidas como convém e o respeito pela sua dignidade recomenda.

Adjudicar um serviço, porque é barato, a uma pessoa incompetente é adjudicar o fracasso.

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