Fotografia: Nuno Cerqueira

Esposende lamenta morte de Agustina mas “mural” da escritora no centro da cidade continua vandalizado

Largo Gaspar de Barros da Costa.

Nuno Cerqueira
4 Jun 2019

A Câmara de Esposende lamentou a morte da escritora Agustina Bessa-Luís, sublinhando que se trata de uma “figura grande” da literatura portuguesa e que perpetuou em registos autobiográficos o nome do concelho, onde chegou a viver.

No entanto no Largo Gaspar de Barros da Costa, mesmo a pouco metros da Câmara de Esposende, o mural criado com “Memória de Esposende” de Agustina Bessa-Luís permanece vandalizado.

Aliás o largo, onde consta também a memória de Boenerges Cunha, foi restaurado, como é possível perceber na página da autarquia, mas «tem sido local para depósito de lixo com três contentores», refere um grupo de jovens, que ali costuma aproveita a sombra de uma árvore para lancharem.

«Devia estar mais bem tratado este espaço. A Câmara tem que definir se é local para depósito de lixo ou um mural aos escritores. Se é um mural, então está muito mal tratado e os contentores não deviam estar ali», disse ao Diário do Minho, Joana Mota, que ali costuma passar.

Já José Cunha, que ali atalha caminho para o trabalho, aponta o dedo ao vandalismo. «Isto são pessoas que só querem estragar. Que não percebem que ali está uma obra de arte. Estragam tudo com essas pinturas», disse.

O concelho de Esposende, em especial a cidade, ficou gravado nos registos autobiográficos da escritora, sendo que no mural pode ser lido o seguinte:

«…Esposende tinha duas almas: a do sul, que era piscatória, e a do norte, que era banhista. Uma era feita de gente natural e misteriosa, com dramas e alegrias rápidas, como se o vento cínico e audaz, vindo de muito longe, talhasse a sua história. A alma do sul já existia quando o reizinho D. Sebastião jogava às laranjas com os seus cortesãos – e as comia. Porque o príncipe era guloso; em apetites de mesa e arrancadas do estribo perdeu a vida, e nós a independência e a lei dela»

Há muito afastada da vida pública por razões de saúde, Agustina Bessa-Luís morreu aos 96 anos, no Porto. O Governo decretou luto nacional.

 

 

 





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