Espaço do Diário do Minho

Lições de liderança
17 Mai 2019
Carlos Dias

Há algumas figuras no seio do mundo do desporto que, com o decorrer dos anos, se transformam em casos de estudo, nomeadamente nas competências que possuem na gestão e liderança de grupos ou organizações. Pessoas cujo êxito é inquestionável, fundamentalmente pelo tempo que se mantêm no topo.

A liderança, principalmente de grupos sujeitos a ambientes intensamente competitivos é, nos tempos atuais, um tema pertinente e que todos devemos olhar, analisar e retirar algumas lições, independentemente do tipo de organização ou grupo que lideramos. Uma dessas figuras, consensuais e de relevo internacional é o espanhol Pep Guardiola, atual treinador da equipa de futebol do Manchester City, que acabou de vencer, pela segunda vez consecutiva, a Premier League (campeonato inglês de futebol). 

O treinador de 48 anos, que apesar de ser um jovem, é um verdadeiro colecionador de títulos. Pelos campeonatos que passou, deixou a sua marca, bateu imensos recordes, inclusive detém o de maior número de vitórias consecutivas nos campeonatos espanhol, germânico e inglês. Neste campeonato conseguiu 14 vitórias seguidas, na fase mais importante e stressante. 

É pois, hoje, um dos treinadores de referência do futebol internacional, diria desporto internacional. Impressiona pela sua personalidade, tipo de liderança, conceitos de aplicação tático-técnica e, acima de tudo, pela forma como comunica. Palavras pensadas, conceitos organizados, envoltos em emoção positiva e sentimento. A sua ação enquanto treinador apela a tipo de sentimento afetivo e de plena confiança no seu grupo, e a resposta é de inteiro envolvimento e compromisso por parte dos jogadores que o acompanham. Exigente, cumpridor e estratega, são caraterísticas que fazem dele um treinador de referência para qualquer modalidade.

O que mais me fascina na liderança de Pep Guardiola é que ele procura, estuda, aplica, conceitos de jogo e estratégias distintas, consoante a essência das equipas que lidera e do tipo de campeonatos em que está inserido. É, de facto, um treinador que consegue melhorar o nível de desempenho dos seus jogadores, modificando o estilo de jogo, em função dos eixos e caraterísticas mais fortes do seu grupo de trabalho.

É um treinador que aponta alguns conceitos que ajudam os jogadores a entender os princípios de jogo que preconiza. Por exemplo, uma das regras que lhe apontam como nuclear da ação para as equipas que dirige, é a regra dos “3 P’s” (curiosamente já diziam isso da cidade de Braga…), e que no caso de Pep Guardiola refere-se a: “Play, Possession and Position”.

Muitos profissionais que partilharam com ele o processo desportivo, apontam-lhe um desejo enorme de vencer, mas diretamente implicado com uma forma de jogar, agradável, de futebol positivo. Ao longo de toda a época, Pep Guardiola, referindo-se ao jogador português Bernardo Silva, teve várias intervenções positivas, quer à sua forma de jogar, mas também à pessoa que representa para o grupo de trabalho e para a primazia da sua influência na ação global da equipa. E, sem dúvida, que o jovem jogador português respondeu com uma qualidade e competência de elevadíssimo nível, transformando-se numa figura de proa da equipa e da difícil conquista deste campeonato. O dinheiro, claro que ajuda muito os treinadores a ganhar títulos, mas não é só isso que faz “O colecionador” vencer tantos e em diferentes contextos.



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