Espaço do Diário do Minho

Quando é que chegará a justiça para todos, aplicada de um modo imparcial e equitativo?
16 Mai 2019
Artur Gonçalves Fernandes

Os responsáveis pelas sociedades, associações ou instituições devem ter como objetivo (e dever primordial) o desenvolvimento social das pessoas, ou seja, o seu bem-estar, a justiça, a saúde, a educação, a igualdade de oportunidades, a promoção de salários dignos, do pleno emprego e do respeito pelos direitos de todos. Estes objetivos nunca se atingirão, a não ser por meio de um desempenho de funções honesto, desprendido, justo, vertical e sem qualquer tipo de aceção de pessoas. 

Só assim se acabará com a corrupção, com o desvio de dinheiros públicos e com a sua distorcida e, muitas vezes, maléfica aplicação. Os corruptos, os desonestos ou os desbaratadores do erário público ainda têm a desfaçatez de se vangloriar dos proveitos de dinheiro e de bens patrimoniais mal adquiridos, passeando pelas avenidas das cidades do próprio país e do mundo, exibindo toda uma riqueza obtida pela volúpia gananciosa dos seus desejos ávidos do alheio, galhardeada por uma atividade ardilosa. A impunidade e a parasitagem continuam a ter terreno fértil para viver confortavelmente sem correr qualquer risco de  vir a ser incomodadas.  Parece que possuem um certificado de livre circulação. Infelizmente, ainda se mantém um grande fosso entre a justiça para ricos (onde reina uma grande impunidade) e a justiça para pobres (onde não há grandes contemplações). Os corruptos e os desonestos tentam ignorar que a coisa mais relevante para se aprender na vida é a ciência de saber como se deve viver no dia a dia, de consciência tranquila. 

A felicidade não está meramente naquilo que se tem, mas naquilo que se consegue de um modo honesto e se usa do mesmo modo, no respeito total dos direitos dos outros e estando-se sempre ao serviço das comunidades.  Há pessoas que têm objetivos dignos e modelares na sua vida, mas muitas outras arrastam a sua existência mergulhadas na desonestidade, usufruindo de bens que foram obtidos por meios totalmente reprováveis à luz da dignidade humana. Deles nada sai que vá beneficiar os mais necessitados. Se alguma vez o fazem, é por orgulho, mostrando a sua falsa solidariedade, no pressuposto errado de que, assim, vão tapando os olhos dos outros. No seu gesto apenas reina a vaidade, a jactância e o egoísmo. São os falsos beneméritos sociais. As mãos do homem nunca devem respirar desonestidade. Mais tarde ou mais cedo, elas serão corroídas pelo odor pestilento da corrupção que manusearam.

 O homem deve ter horizontes nobres e procurar ir para além do mundano, subir mais alto, vencer dificuldades, sentir o desabrochar e o desenvolvimento de todas as suas faculdades superiores de um modo digno, procurando sempre a verdade e a justiça para penetrar e encher todo o seu ser. Dostoievski escreveu: “Não é a inteligência que mais interessa mas o que a guia – o carácter, o coração, as boas qualidades”. O que o homem usa correta e justamente está sempre a aumentar e a enriquecê-lo moralmente; aquilo de que se abusa retrocede, diminui o caráter e empobrece a pessoa humana.  Este é o horizonte verdadeiro e único para todas as funções do homem.        



Mais de Artur Gonçalves Fernandes

Artur Gonçalves Fernandes - 23 Mai 2019

Num período de tempo tão curto em que vamos ter vários tipos de eleições, as relações humanas exigem que se reflita na educação das pessoas, no respeito de uns pelos outros e, sobretudo, no verdadeiro amor que lhes está subjacente. Os políticos passam o tempo de campanha eleitoral a procurar descobrir as falhas dos adversários, […]

Artur Gonçalves Fernandes - 9 Mai 2019

Ao eticismo e ao espiritualismo, que procuram promover a axiologia de valores cívicos, morais e transcendentes, opõe-se o materialismo que opta por princípios meramente terrenos. O materialismo, irmanado com o agnosticismo ou com o ateísmo, esquece as dimensões mais importantes do homem. Ele já demonstrou, de maneira a não deixar margem para qualquer dúvida, que […]

Artur Gonçalves Fernandes - 28 Fev 2019

Hoje em dia, o saber como domínio de conhecimentos nas suas várias vertentes é um privilégio de muito poucos. Saber estar como ser social é um condão de pequenos grupos de homens cultos. Saber falar, saber escrever, saber entabular uma conversa é um tesouro de raríssima ocorrência. Saber desempenhar uma profissão com a sua respetiva […]


Scroll Up