Espaço do Diário do Minho

Jérôme Lejeune – Uma vida ao serviço dos mais fracos
16 Mai 2019
Carlos Aguiar Gomes

Quando, há muitos anos tomei contacto com este insigne Mestre da Genética e católico militante, através de um artigo notável no jornal francês “L’HOMME NOUVEAU”, logo lhe pedi autorização para o traduzir e publicar em Portugal. A resposta favorável não se fez esperar como desejava. 

Estávamos em 1975, a esquerda agitava-se para a legalização do aborto. Entendi, como responsável para Portugal da Militia Sanctae Mariae – cavaleiros de Nossa Senhora, que o momento não permitia “sonolência” e indiferença. Era preciso agir. Agir e reagir.

Assim, nasceu a primeira publicação em português da MSM e se deu início a uma actividade pró-vida que chegou até hoje, de forma sistemática. Pela oração e pela acção. 

Em 1975 nasceu, como disse, o primeiro livrinho da MSM sobre o direito à vida e o seu autor era o Professor Lejeune – «O COMEÇO DO SER HUMANO». 

Tenho, pessoalmente, uma admiração imensa por este génio e exemplo de que entre a mais elevada investigação científica e a Fé não pode haver e não há incompatibilidade. Além disso, Lejeune foi e é para mim um modelo que procuro seguir, tendo a certeza de que o meu caminho ainda está muito longe do que ele foi. É este meu fascínio pela vida e obra de Lejeune que me incentiva a conhecer cada vez mais a sua vida e a sua herança. Foi assim que há poucos anos visitei a sede da Fundação Lejeune, em Paris, e onde pude ver o grande serviço , a nível de investigação e assistência às pessoas que têem a Trissomia 21, a sua grande descoberta.

«O COMEÇO DO SER HUMANO», editado em 1975, teve várias edições já que era uma «novidade» abordar, na época, o assunto do aborto recorrendo à Ciência na defesa da vida humana.

«LE PROFESSEUR LEJEUNE, une vie au service des plus faibles» («O Professor Lejeune, uma vida ao serviço dos mais fracos») é o título de uma recensão bibliográfica do livro: «JÉRÔME LEJEUNE – a liberdade do sábio» sobre este Homem, médico e investigador que perdeu o Nobel por defender a vida humana desde a concepção. O autor é Aude Dugast, postuladora da causa da canonização deste sábio santo que é um santo sábio. Aude Dugast (neste trabalho) fez uma pesquisa aturada. Consultou milhares de páginas que ser referem a Lejeune, junto da sua família (esposa e filhos) e de quem com ele conviveu.

Lejeune, toda na sua vida de cientista, nunca recuou face ao «politicamente correcto». Foi sempre ele mesmo: um cientista católico e um católico cientista. E por causa desta opção coerente de vida, perdeu um Nobel que iria ser atribuído pela sua grande descoberta na área da Genética. Por isso, um dos seus mais ilustre admiradores, S. João Paulo II, o encarregou de trabalhar nos estatutos da Academia Pontifícia para a Vida e o nomeou seu primeiro presidente e numa das visitas que João Paulo II Magno fez a França, já Lejeune tinha morrido, fez questão de, ao arrepio do protocolo, ir rezar junto do túmulo do «seu amigo, Jérôme Lejeune».

O livro de Aude Dugast é «uma bela homenagem  a Jérôme Lejeune e esclarece também o que, hoje, se joga no domínio da bioética, cujas raízes são bem mais antigas.»

A autora da citada recensão (Adélaide Pouchol, 6 de Maio de 2019) diz, e muito bem, que este é um livro a colocar em todas as mãos».

Lejeune marca um período difícil da nossa época. É uma referência para todos os lutam por uma cultura da vida contra uma cultura dominante da morte

O livro que referi, da Editora ARTÈGE (Paris), foi publicado em 1 de Abril de 2019. A Editora, a propósito desta figura ímpar do mundo Ciência refere: «Pioneiro da Genética moderna, encantado pela beleza de cada vida humana, o Professor Lejeune marcou a história assumindo a defesa dos sem voz. Seguindo a sua consciência de médico fiel ao juramento de Hipócrates e de cristão fiel ao seu baptismo, mostrou com brio como a Ciência e a Fé se engrandecem mutuamente. A sua história é a de um homem que permaneceu livre apesar dos honras recebidas no mundo inteiro depois dos ataques violentos de que foi objecto».

   



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